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Trabalhando Para o Demônio

*Ichiban: Literalmente significa "número um".

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Acordando de uma noite mal dormida após o que deve ter sido o pior dia de sua vida, Izuku passou na cafeteria em que sua amiga trabalha antes de se dirigir ao escritório às pressas, virando o cappuccino escaldante em três goles desesperados na esperança de surtir efeito mais rápido.

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Ao descer do elevador pro andar de seu cubículo com cara abatida e uma caixa de papelão em mãos, ainda mais depois de ter sido chamado ao escritório do chefe no dia anterior, seus colegas de trabalho só puderam lançar-lhe olhares piedosos no que o esverdeado se dirigia ao seu antigo cubículo e começava a encaixotar os pertences; Hagakure foi a única a se aproximar.

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- Bom dia, Midoriya. - Cumprimentou ela com cautela.

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- Ah, Hagakure! Bom dia! - Izuku pôs seu melhor sorriso forçado ao respondê-la.

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A jovem mulher de cabelos cor de lima abaixou os olhos entristecidos, medindo suas palavras antes de tocar no assunto.

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- Então... como foi com o Bakugou, ontem?

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- Ah, bom... parece que vou ser seu secretário.

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- O quê? Ele te promoveu?! - Hagakure exclamou alto o suficiente para chamar a atenção de todos no recinto, Midoriya só pôde sinalizar para que falasse mais baixo.

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- É... Começo hoje, ao que parece. - Disse ele devagar.

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- E aqui eu tinha certeza de que seria demitido... que susto! Essa é uma notícia muito boa, fico aliviada em saber!

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Izuku abaixou os olhos com um sorriso tristonho.

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- "Aliviada", hã...?

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A jovem fitou-o confusa.

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- Você não parece muito contente por ter conseguido essa promoção...

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- Bom, pode-se dizer que eu não estou tão ansioso para trabalhar ao lado do... Bakugou.

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- Midoriya...? - Hagakure chamou, mas seu parceiro de trabalho já estava levando os pertences consigo para o elevador.

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Não queria descontar nela, mas aquela era uma conversa que definitivamente não queria ter.

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Atravessando o longo corredor para a mesa de secretário, encontrou Kirishima lançando-lhe um sorriso radiante.

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- Bom dia, Midoriya! - Cumprimentou o ruivo.

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- Oi, Kirishima. - Respondeu-o monotonamente ao pousar a caixa de pertences sobre a mesa.

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Seu colega lançou-lhe um sorriso constrangido.

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- Dormiu bem?

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- Hã...? Ah, bom... mais ou menos. - Izuku disse acanhado ao começar a organizar seu espaço de trabalho na mesa compartilhada; ao menos tiveram a decência de lhe providenciar uma cadeira extra.

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- Entendo... - Respondeu devagar. - Então... hoje começamos seu treinamento! Vou passar por alguns básicos com você e tirar qualquer dúvida ao longo do-

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- Deku.

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Ambos fitaram as orbes escarlate metralhando o jovem esverdeado de cima, em frente à mesa; Izuku apontou para si mesmo para garantir de que se referia a si.

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Bakugou revirou os olhos para ele.

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- Você mesmo, quem mais seria? - Falou impaciente.

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- Bom... na verdade-

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- Quero que me traga um café. - Interrompeu-o ao se dirigir para sua sala.

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- O quê-?

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- Agora! - Foi tudo o que vociferou em sua direção antes de fechar a porta do escritório atrás de si; Izuku só pôde suspirar impaciente e buscar os olhos do colega ao seu lado.

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- O-o Bakugou tem um caráter meio difícil, eu sei! Mas não é de todo ruim... - Explicou o ruivo.

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- Claro... - Izuku resmungou sarcástico.

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Kirishima sorriu encorajador.

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- Espresso duplo com espuma.

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O esverdeado fitou-o curioso antes de assentir com um leve sorriso.

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- Obrigado, Kirishima. - Foi tudo o que disse antes de se levantar.

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Se dirigiu à cafeteira mais próxima e programou o espresso duplo com espuma para então levar a xícara de volta pro seu chefe o mais rápido que pôde, encontrando-o em uma conversa casual e descontraída com Kirishima ao chegar à mesa de secretário, porém sua cara fechou ao avistar o esverdeado.

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Izuku engoliu um seco e se aproximou com cautela do chefe que o aguardava impaciente e de braços cruzados.

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- Er... trouxe seu café... Espresso duplo com espuma. - Anunciou educadamente.

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Bakugou ergueu uma sobrancelha para o ruivo, cujo sorriu em retorno, então se voltou para o sardento à sua frente, assentindo à xícara em suas mãos.

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- Deixe na minha mesa.

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Izuku suspirou inaudível ao cinismo do chefe e fez como lhe foi instruído, abriu a porta do escritório com cuidado e depositou a xícara num canto livre da mesa de trabalho impecável.

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Ao se virar para sair, gelou à visão de Bakugou adentrando o escritório logo em seguida; este franziu o cenho e bufou impaciente ao se aproximar com passos firmes, deixando seu secretário no mínimo nervoso, antecipando o pior, mas este deixou seu corpo relaxar e se virou confuso para Bakugou cujo ignorou-o ao se dirigir diretamente à mesa, reposicionando a xícara em outro canto impacientemente.

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- Precisa deixar o café mais afastado dos documentos, eles não podem manchar. - Disse firmemente ao se virar para Izuku. - Tenha mais cuidado, da próxima vez.

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- S-sim senhor. - Gaguejou em retorno. - Há algo mais que eu possa fazer, por enquanto?

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- Não, está dispensado por hora. - O loiro disse plenamente ao contornar a mesa e se sentar na cadeira presidencial.

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- Sim, senhor... - Sequer tentou disfarçar o tom de mágoa ao se retirar da sala.

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De volta à mesa de secretário compartilhada, Izuku desabou na cadeira de escritório sob o olhar preocupado de seu parceiro de trabalho.

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- Cansado, Midoriya?

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- Bom, quer dizer... ainda posso trabalhar. - Respondeu ele ao esfregar os olhos.

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- Bom, espero que ainda consiga prestar atenção ao treinamento... - Kirishima sorriu acanhado.

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- A-ah! Caramba, tinha quase me esquecido! - Izuku exclamou, agora mais desperto.

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Kirishima fitou-o preocupado.

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- Seria melhor tirar o dia de folga? Se não está se sentindo bem, eu posso arrumar uma desculp-

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- Não, não... - Interrompeu o esverdeado. - Não posso faltar no meu primeiro dia de promoção, quanto mais na minha primeira semana de trabalho.

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Kirishima sorriu em compreensão.

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- Você é mesmo esforçado, não é, Midoriya? - Comentou para ganhar um sorriso acanhado do colega. - Acho isso muito másculo da sua parte, mas não deixe de buscar ajuda quando precisar, tá...? Inclusive é para isso que estou aqui.

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Izuku sorriu genuinamente em sua direção; a seu ver, trabalhar diretamente para Bakugou seria mais tolerável enquanto ao lado do seu novo colega.

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- Obrigado, Kirishima.

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- Não tem porquê, Midoriya! - O ruivo sorriu radiante levantando um polegar positivo. - Agora vamos passar pelas tarefas que vai exercer daqui em diante; se aparecer qualquer dúvida, seja agora ou depois, não hesite em me perguntar!

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A experiência em seu novo espaço de trabalho foi uma mistura de sentimentos para Izuku; suas tarefas incluíam atender ligações, organizar agendas e cronogramas, receber clientes e visitantes e sempre consultar seu chefe sobre mudanças bruscas, como entrevistas ou reuniões.

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Não fosse por isso, trabalho é trabalho, mas Bakugou parecia estar querendo dificultar pro seu lado, teve também de se acostumar com o novo apelido.

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- Deku. - Izuku olhou pro chefe ao seu chamar. - Quero que você me acompanhe, na próxima reunião.

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- Hã...? - Resmungou o esverdeado estupefato.

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- Eu gaguejei? Vamos, levante. - Bakugou moveu para se retirar, impaciente.

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- Espera... pensei que o Kirishima fosse te acompanhar. - Comentou com cautela.

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- Alguém tem que ficar no atendimento, mas também preciso de um de vocês na reunião comigo. - O loiro explicou plenamente ao se virar de volta pro esverdeado.

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- Hã... sou mesmo adequado pro serviço? - Izuku perguntou para garantir, afinal ainda estava em sua primeira semana de treinamento.

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Bakugou revirou os olhos e exalou exasperado.

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- Olha, se está me dizendo que simplesmente não quer fazer, eu posso-

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- Não, não! Eu vou. - Exclamou o esverdeado ao levantar abruptamente e buscar o olhar encorajador do colega ao seu lado.

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- Acho bom. Venha, vamos nos atrasar. - Bakugou se virou e seguiu com seu caminho, tendo o esverdeado indo ao seu encontro rapidamente e seguindo-o como um cachorrinho, acompanhando os passos largos do chefe.

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Seguiam rapidamente para a sala de reuniões e Izuku estava perdendo tempo, mas tinha de perguntar antes de se atrapalhar e estragar tudo.

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- Hã... se-senhor Bakugou? - Murmurou timidamente para receber apenas um resmungo impaciente do chefe. - Hã- fico contente de confiar em mim para este serviço, mas... ainda estou em treinamento-

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- Aonde quer chegar? - Bakugou encarou-o de relance, impaciente.

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- Bom... só preciso saber o quê, exatamente, espera de mim nessa reunião... não quero decepcioná-lo.

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Bakugou pausou momentaneamente com uma sobrancelha erguida em sua direção, intimidando Izuku ao fazê-lo imaginar se tivesse dito alguma besteira. O loiro apenas sorriu de lado com um riso zombeteiro e seguiu com seu caminho, tendo Izuku indo atrás dele de prontidão.

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- Você é do tipo obediente, não é? Eu gosto disso. - Suas palavras embrulharam o estômago do esverdeado.

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- B-bom... só quero fazer um bom trabalho. - Respondeu baixinho.

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- Não se preocupe, Deku... tudo o que precisa fazer é me ajudar com esse acordo de forma rápida e efetiva, e lembre-se de que não gosto de desperdiçar o meu tempo. - Completou com rispidez e um olhar severo ao seu secretário.

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Izuku assentiu.

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- Sim, senhor.

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Logo adentraram a sala de reuniões para encontrar uma dupla conversando lá dentro, ambos se viraram ao ouvir a porta abrir e sorriram ao avistar Bakugou e seu secretário.

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- Obrigada por comparecerem! - A mulher de lábios carnudos reverenciou. - Meu nome é Camie Utsushimi, represento a Cosméticos Glamour. Este é meu secretário, Inasa Yoarashi.

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- É um prazer! - Disse Inasa com um entusiasmo levemente exagerado e uma reverência estranha; Izuku não pôde deixar de notar, mas seu jeito robótico pareceu ter incomodado Bakugou, cujo somente ajustou a gravata e guardou comentários maldosos para si.

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- Eu sou Katsuki Bakugou, e este-

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- Ah! Meu nome é Izuku Midoriya, é um prazer! - Interrompeu de prontidão para ganhar um olhar de relance do seu chefe que ameaçava-o silenciosamente.

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Não queria ser rude nem brusco, principalmente com seu superior, mas tinha de fazê-lo para não causar confusão com o apelido "carinhoso" que recebeu de Bakugou, afinal o que este faria seus colaboradores pensarem ao chamá-lo de “inútil” na frente de todos?

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- Certo... bom, vamos nos sentar? - Camie sugeriu ao unir as mãos animada, todos seguiram a deixa. - Vou direto ao assunto: todos sabemos como a grife Ichiban é famosa e prestigiada.

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- Sim, isso não é novidade para ninguém. - Bakugou se pronunciou com um sorriso de lado antes que esta pudesse terminar. - Aonde quer chegar com essa paparicagem?

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Camie sorriu admirada pela sua confiança antes de continuar.

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- Queremos fechar uma parceria.

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Bakugou riu debochado ao cruzar os braços sobre a mesa à frente, Izuku apenas observou cada gesto seu com uma queimação no âmago de seu estômago.

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- E que vantagem nós teríamos nisso? - Indagou o loiro

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- Sabemos como a Ichiban é literalmente a número um*, não traríamos esta proposta se não estivéssemos à altura. - Camie apoiou o queixo sobre o dorso da mão, falando com toda a confiança.

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Bakugou arqueou uma sobrancelha com um sorriso admirado.

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- Isso eu quero ver por mim mesmo.

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- Mas é claro! - Inasa se intrometeu ao entregar duas cópias de documentos que trazia consigo para Bakugou e seu secretário. - Vão ver que a Glamour está subindo rápido no ranking, estamos bem perto do primeiro lugar em vendas!

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Bakugou analisou os gráficos rapidamente com Izuku; o esverdeado fitava os números admirado enquanto que seu chefe apenas analisava tudo em um silêncio desconcertante, mas que não abalou Utsushimi, de todo modo.

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Ao passar por todos os documentos, Bakugou ergueu uma sobrancelha, o que tirou um sorriso vitorioso dos lábios carnudos de Camie, este então se virou para seu secretário que entendeu a mensagem subliminar com o olhar do chefe.

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- São números impressionantes. - Izuku se dirigiu à dupla do outro lado da mesa.

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- Não é? - Camie se gabou no que os dois rapazes passavam os documentos de volta para Inasa.

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- Eu não sei... - Bakugou se pronunciou para a confusão de todos, seu sorriso finalmente se desfez. - Realmente, são gráficos interessantes que vocês têm aí, mas o que me interessa se não estão em primeiro?

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- Ainda. - Camie sorriu confiante.

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Bakugou soltou um riso debochado.

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- Tem tanta certeza assim de que vai alcançar esse patamar?

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- É só uma questão de tempo. - Respondeu ela. - Não estou apenas sonhando alto, senhor Bakugou, tenho visão de futuro e confiança de que minha empresa ainda vai ser a melhor.

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O loiro ergueu uma sobrancelha, admirado; parece que a confiança de Camie ganhou sua simpatia.

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Fecharam o acordo rapidamente e se despediram antes de partir caminhos, em meio a isso, Izuku não pôde deixar de notar o modo como Bakugou encarava as pernas de Camie por debaixo da saia midi.

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Seguiram em silêncio até a mesa de secretário onde se encontrava Kirishima e este trocou um sorriso com o loiro ao avistá-lo, gesto esse que fez Midoriya sentir-se mal.

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Por mais que Kirishima estivesse facilitando seu trabalho, não podia deixar de sentir ciúmes pela diferença de tratamento, mas não tinha mais o que fazer; Bakugou sequer se lembrava dele e agora era seu chefe, já não era mais da sua conta.

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- Vamos almoçar, Ei? Acho que podemos fazer um intervalo. - Bakugou convidou o ruivo que se levantou ao seu chamar.

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- Claro! Você vem também, Midoriya? - Kirishima se virou pro esverdeado.

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Izuku estava esperançoso por um curto momento, até Bakugou estragar seu ânimo.

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- Alguém ainda precisa ficar na recepção, ele pode ir almoçar quando voltarmos. Vamos, Ei. - Chamou ele ao se dirigir pro elevador, Kirishima lançou um olhar envergonhado em direção a Midoriya, como que lhe pedindo desculpas silenciosamente enquanto seguia o chefe.

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Izuku só pôde suspirar e voltar ao trabalho por hora.

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Os íncubos então se encontraram num restaurante de alta classe próximo do seu local de trabalho para poderem almoçar; assim que fizeram seus pedidos, o garçom recolheu os cardápios e se retirou, dando a deixa para Eijirou conversar com seu amigo sobre o assunto que vinha remoendo na última semana.

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- Escuta, Katsuki... não acha que devia tratar o Midoriya um pouco melhor-?

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- Podemos evitar assuntos desagradáveis? - O cupido interrompeu-o impaciente.

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- Katsuki. - Eijirou suspirou. - Ele é a sua alma gêmea, sabe o que acontece ao rejeitá-lo, todos nós vimos, por quê não pode se entregar ao seu destino?

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Katsuki pausou para tomar um longo gole de água.

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- Você sabe muito bem, Ei. - Disse plenamente.

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- Eu sei! Mas você sabe também como as almas gêmeas funcionam, afinal você estudou sobre isso...! Katsuki... não acha que deveria dá-lo ao menos uma chance? Talvez seja até mais fácil de cumprir com a sua função quando não tem os efeitos da maldição para te atormentar.

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Katsuki pausou em cogitação; de fato, aceitar sua alma gêmea era o único modo de cortar os efeitos da maldição que carregava, assim como qualquer outro cupido como ele, mas não era um humano qualquer que iria desfazer a visão que tinha sobre aquela espécie.

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- Pode falar o que quiser, Ei... não vou me entregar tão fácil.

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- Katsu-!

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- Sabe muito bem porque eu não tenho esperança nos humanos, afinal eu vi com meus próprios olhos e senti com meu próprio coração do que essa raça é capaz... e não é uma "alma gêmea" que vai mudar isso tão fácil.

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Eijirou não insistiu mais, apenas abaixou os olhos em derrota e mudou de assunto quando seus pedidos chegaram; realmente, seu amigo era muito cabeça dura, só esperava ele que aquele rapaz, o Midoriya, conseguisse o milagre de mudar suas opiniões encruadas, mas precisaria de muita perseverança, e talvez um pouco de ajuda...

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De volta ao escritório, Midoriya avistou Kirishima voltando com seu chefe, cada qual com um sorriso caloroso em sua direção e uma cara amarrada, evitando olhar para ele; assim que Kirishima sentou-se ao seu lado, Midoriya tentou chamar a atenção de Bakugou.

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- Ei... senhor Bakugou! Eu- - Não teve tempo de terminar a frase antes da porta do escritório bater atrás do chefe.

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O sardento abaixou os olhos e suspirou frustrado.

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- Tudo bem, Midoriya...? Se quiser, pode ir almoçar, eu assumo daqui. O que queria com o Bakugou? - Kirishima se pronunciou.

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- Obrigado, Kirishima... era sobre isso mesmo que eu queria saber. - Sorriu acanhado.

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O ruivo devolveu-lhe o sorriso.

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- Neste caso, pode ir! Eu assumo daqui.

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- Já estou indo. - Izuku anunciou ao se levantar em direção à cantina. Kirishima não tinha ideia do quão grato ele era por si.

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Izuku se serviu do buffet do refeitório, já havia se acostumado com todos encarando a quantidade saudável de alimento no seu prato comparada à quantidade escassa dos seus companheiros de trabalho, mas não ia passar fome para impressionar ninguém.

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Sentou-se na única mesa vazia que encontrou e se serviu, não tardou para que alguém se juntasse a ele.

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- Oi, Midoriya! Há quanto tempo. - Este olhou para a familiar voz feminina lhe chamando.

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- Ah! Oi, Hagakure. - Izuku cumprimentou de volta no que a jovem moça ocupava um lugar à sua frente.

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- E então...? Como a nova promoção vem te tratando? - Perguntou animada.

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Izuku esboçou um sorriso melancólico.

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- Quer dizer, como o Bakugou vem me tratando...?

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Hagakure fitou-o preocupada.

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- Vejo que não se deu muito bem com ele...

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- É... - Izuku concordou, apesar de que "não se dar muito bem" não chegava perto do nível de estresse pelo qual seu chefe o fazia passar.

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- Quer me contar o que aconteceu?

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- A-ah! Não quero incomodá-la.

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- Eu sou toda ouvidos.

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Izuku hesitou; realmente nem queria falar sobre aquilo, mas não conseguia negar a insistência da moça.

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- Tudo bem... na verdade, meu parceiro de trabalho, o Kirishima, é o único motivo me mantendo de pé... mesmo assim, não é o suficiente perto do que eu tenho que aturar com o Bakugou.

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- Midoriya... por acaso está pensando em se demitir?

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- Não... por mais que a ideia seja tentadora. - Pausou para suspirar. - A verdade é que este é o meu emprego dos sonhos, não sei aonde mais posso ir daqui, mas estou começando a me questionar se vale mesmo a pena...

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- Hum... - Hagakure cantarolou com pesar. - Se for fazer isso, espero que esteja certo da sua decisão, mas... o que o Bakugou te fez de tão ruim...?

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Izuku soltou um riso zombeteiro; não podia falar daquilo e nem queria, iria botar seu emprego em risco! Logo, Hagakure se corrigiu.

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- A-ai, me desculpa! Isso não é da minha conta, não é...? Não devemos ficar fofocando sobre o chefe.

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- Tudo bem... Mas é, é melhor não ficarmos fofocando sobre isso.

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Ambos sorriram um pro outro em compreensão até a mulher prosseguir com seu discurso.

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- Mas enfim... pode ser o seu trabalho, mas não deixe os outros se aproveitarem de você, viu, Midoriya?

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Izuku hesitou surpreso; era tarde demais para lhe dizer aquilo.

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- Vou tentar...

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Hagakure suspirou impaciente.

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- Ah, Midoriya... você não pode ser tão inocente, sei que é uma qualidade que você tem, mas isso só vai lhe trazer desgraça... e eu quero que você fique bem. - Suas palavras surpreenderam o esverdeado. - Sabe... você captou meu olho desde que começamos a trabalhar juntos... você é uma ótima pessoa!

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- Deve estar exagerando, eu não sou tão incrível assim. - Izuku riu acanhado.

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- É sim! Você é mesmo muito gentil e generoso, até me surpreende ter um emprego tão fútil quanto numa empresa de moda.

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- Bom, você é uma para falar, não é? - Brincou ele.

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- Eu sei, mas sempre me interessei por moda desde que era garotinha.

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- Então somos dois. - Izuku disse baixinho.

​

- Acho que sim, né? - Hagakure riu. - Mas enfim... eu estava pensando se talvez você não quisesse-

​

- Ei, Midoriya! - Ambos olharam para cima surpresos ao chamar do rapaz ruivo.

​

- O que foi, Kirishima? O Bakugou precisa de alguma coisa? - Indagou Izuku preocupado.

​

- N-não é isso! Eu só precisava falar com você rapidinho; tem um minuto? - Kirishima chamou acanhado.

​

Izuku olhou de Hagakure para o ruivo, então se pronunciou.

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- Está bem... já vou. - Disse ao se levantar. - Nós conversamos depois, Hagakure.

​

- Tudo bem. - Foi tudo o que a jovem disse ao observar o esverdeado partir dali.

​

Ambos os rapazes seguiram pelos corredores em silêncio desconfortável por um momento até Izuku perceber que estavam caminhando em direção a uma área externa do prédio.

​

- Kirishima... desculpe, mas não devia estar no trabalho? Não sei se temos tempo para-

​

- Está tudo bem Midoriya, o trabalho pode esperar um pouco, só preciso conversar com você em particular.

​

Izuku não pôde responder, seu estômago embrulhou no que imaginava o pior.

​

Quando finalmente se viram a sós, Kirishima se virou pro esverdeado e hesitou.

​

- Olha, Midoriya... desculpe a pergunta, mas... quem era aquela garota?

​

O esverdeado fitou-o confuso.

​

- Minha antiga colega de trabalho, Tooru Hagakure... por quê?

​

- Bom, é que... - O ruivo respirou fundo. - Olha, não quero me meter, mas não acho que deva se aproximar dela...

​

Izuku estava mais confuso ao momento.

​

- Como assim? Você não conhece ela, não é?

​

- Eu sei! Mas... escuta. - Este surpreendeu Midoriya pousando ambas as mãos em seus ombros. - Eu não confio nela... e me parecia que ela tinha segundas intenções.

​

Midoriya parecia ofendido.

​

- É assim que trata seus parceiros de trabalho, Kirishima? Esperava mais de você.

​

- Midoriya, espera! - O ruivo agarrou-o pelo braço antes que pudesse se virar para sair. - Eu só estou fazendo isso pelo seu bem.

​

- O que você quer, Kirishima?! A Hagakure não merece ser tratada assim! - Exclamou o esverdeado ao se soltar do aperto do mais alto.

​

- Bom... eu não conheço ela, eu sei! Mas-

​

- "Mas" o quê?! - Izuku interrompeu-o.

​

O ruivo hesitou e procurou as palavras certas em sua mente, chegando a um impasse; respirou fundo e decidiu partir para outra abordagem.

​

- Me desculpa... eu só... - Kirishima encolheu perante o olhar severo do seu colega de trabalho. - Eu não queria ofender ninguém... é só que me pareceu que vocês dois estavam flertando e-

​

- Hã? - Izuku resmungou confuso.

​

Desta vez, Eijirou teve de morder a língua; havia falado demais.

​

- Kirishima... está tentando me dizer que você gosta da Hagakure?

​

O mais alto gelou, não esperava ter soado daquele jeito...

​

- Bom... não é sobre a Hagakure-

​

- Sou eu?! - Izuku apontou para si mesmo em choque.

​

- N-não é bem assim, Midoriya! Quer dizer, é por aí mas não sou eu quem gosta-! - Pausou para buscar as palavras certas. - É um amigo meu...

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Izuku ergueu uma sobrancelha.

​

- Quem? - Perguntou curioso.

​

Eijirou engoliu um seco.

​

- N-não posso dizer... ao menos não agora; só peço que seja paciente, está bem?

​

O esverdeado pausou em cogitação; quem seria aquele amigo misterioso? Só tinha certeza de que não poderia ser a primeira pessoa que lhe veio à mente, mas ouvir aquele discurso de Kirishima de novo lhe soou estranho.

​

- Bom, comece com isso, da próxima vez. - Izuku comentou aliviado.

​

- Eu sei! Me desculpe. - O ruivo riu acanhado.

​

- Tudo bem... vou tentar, mas vai ter que me apresentar esse "amigo" qualquer dia, hein?

​

- Bom... - Eijirou se segurou para não soltar o que não devia, ainda mais dado o relacionamento conturbado entre ele e Katsuki. - Pode deixar! Te apresento assim que possível.

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O esverdeado assentiu.

​

- Obrigado, Kirishima.

​

- É para isso que servem os amigos, não é? - O mais alto riu ao guiar o pequeno para dentro do prédio; agora teria que continuar equilibrando aquela meia verdade até aqueles dois se resolverem.

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