
O Ômega Que Amo

*Genkan: Aquelas tradicionais entradas para residências japonesas onde se guardam sapatos.
*Katsudon: Feito com arroz japonês e costeleta de porco empanada, katsudon é dito ser o prato favorito de Izuku.
*Bentou: Uma espécie de pote retangular usado para carregar marmita.
*Dorayaki: Comida de rua japonesa que consiste em duas panquecas com recheio doce.
*Azuki: Pasta de feijão doce.
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Era cedo quando seu celular despertou anunciando mais um dia de aulas, o Delta de cabelos bicolores desligou o aparelho, irritado e já cansado de ficar deitado só encarando os raios do sol da manhã inundando o quarto; após uma pausa para respirar fundo, resolveu levantar e encarar o dia.
Shouto se arrastou até o banheiro para se lavar; se teve 3 horas de sono na noite anterior foi muito, mas não era como se tivesse escolha...
Aquela manhã já prometia testar sua paciência, por isso demorou mais do que o habitual para cumprir com sua rotina de higiene.
A caminho da cozinha, passou pela entrada da mansão oriental e avistou a figura familiar de sua irmã se preparando para sair.
- Bom dia, Shouto! - Cumprimentou a Ômega alegre.
- Bom dia. - Seu irmão respondeu distraído. - Vai sair mais cedo?
- Ah, é que eu tenho muita papelada para organizar na escola e preciso terminar antes do início das aulas. - Explicou ela.
- Entendi... - Shouto comentou devagar.
Era em momentos como aquele que gostaria de ter um pouco de apoio ou alguém que pudesse amenizar a situação, mas sabia que não tinha o direito de contrariar sua irmã, apesar de sempre ter lidado com suas frustrações sozinho, de qualquer forma.
Fuyumi suspirou inaudível.
- Bom, preciso ir andando. Deixei seu uniforme dobrado na lavanderia e o café da manhã na mesa e, Shouto... - Chamou ela antes de descer o degrau pro genkan*.
- Sim?
A Ômega pareceu hesitar.
- Tente pegar leve com o Touya, está bem?
Shouto abaixou os olhos, incomodado. Não queria contrariá-la, mas sabia que não poderia confiar em si mesmo para manter a promessa.
- Vou tentar. - Disse ríspido.
Não queria descontar em Fuyumi, ela se esforçava demais para tentar manter a casa em ordem, só gostaria ele que Touya reconhecesse isso também.
Fuyumi fitou-o com um sorriso cansado; tinha receio do que poderia acontecer ao deixar aqueles dois sozinhos, infelizmente não tinha tempo para apartar nenhuma tentativa de homicídio, sequer passar um sermão.
- Vou indo. - Anunciou ao checar o relógio de pulso. - Te vejo mais tarde.
Shouto assentiu.
- Até logo.
Sem mais uma palavra, a mais velha calçou os sapatos e saiu porta afora a caminho de sua jornada de trabalho, deixando o caçula para lidar com aquela situação por conta própria.
Após um suspiro para tentar se acalmar, Shouto se arrastou à sala de jantar para se servir, chegando lá, sentiu um cheiro estranho emanando do recinto ao lado.
Sabia que não devia se meter - e nem queria -, mas a curiosidade levou o melhor de si. Caminhou devagar até a porta da cozinha e abriu uma fresta para espiar o interior, então pôde ver a cena mais inusitada da sua vida: o mais velho de seus irmãos em frente ao fogão, cozinhando; não estava fazendo um trabalho excepcional, mas ao menos estava se esforçando.
Shouto parou em estado de choque, sua boca entreaberta e seus olhos vidrados à cena, então voltou à realidade ao perceber algo e se virou vagarosamente à mesa posta e porções suficientes para três pessoas, algo estava fora do lugar.
Se voltou ao seu irmão, confuso mas, antes que pudesse lhe perguntar, o Alfa de intensos cabelos vermelhos já o estava encarando impacientemente.
- Não tem que se arrumar pra escola, Shouto? - Perguntou de forma retórica.
O Delta encarou o teto e se segurou para não dizer nada que o fizesse se arrepender depois.
- Só estava me perguntando porquê resolveu cozinhar, a comida da Fuyumi não é suficiente para você? - Cruzou os braços acusadoramente.
- Não é para mim. - Touya disse plenamente ao desligar o fogão. - Muito menos para você, xô!
Normalmente o mais novo teria retrucado à altura, mas as palavras do seu irmão lhe embrulharam o estômago.
- Tanto faz... - Sibilou entre dentes ao se afastar para a mesa de café da manhã.
Sentando à mesa, Shouto se serviu e tentou não pensar na situação atual, se distraindo com sua tigela de café da manhã, mas era difícil quando qualquer leve mudança de ambiente o trazia de volta à realidade.
- Bom dia... - O pequeno Ômega saudou sonolento ao cambalear porta adentro.
- Bom dia, Midoriya. - Shouto respondeu com um sorriso caloroso.
Receber Midoriya em sua casa era sempre uma montanha russa emocional; o Ômega não devia fazer ideia do quanto seu amigo era grato a ele, seu carisma e gentileza o salvaram, mas era mais do que isso...
Além da personalidade que beirava à perfeição e que conquistou Shouto com seu jeitinho de ser, algo em seu almíscar deixava o bicolor à beira da loucura, muitas vezes se pegava tendo de se controlar para não se atracar com o pequeno. Estava perdidamente apaixonado, no entanto, era uma paixão que só lhe trazia dor e mágoa.
- Tooouuyaaaaa! - Midoriya cantarolou alegre ao se apressar para dentro da cozinha.
O bicolor tentou ignorar, mas era inevitável. Eram em manhãs assim que tinha de se segurar para não se atirar ao pescoço do irmão mais velho.
O sardento de cabelos verdes abraçou seu cortesão por trás e enterrou o rosto em suas costas largas enquanto este terminava a tarefa de empacotar a gororoba que cozinhou, o gesto ganhou um sorriso do Alfa.
- Bom dia, garotinho. - Touya mal olhou para o pequeno enquanto terminava a tarefa.
- Senti sua falta mais cedo na cama. - Izuku ronronou.
- Estava tentando fazer algo especial... mas acho que saiu pela culatra. - Disse ele desapontado com o próprio trabalho.
O sardento espiou o que Touya estava aprontando em cima do balcão da cozinha; este embalava um katsudon* caseiro todo esturricado num bentou* verde decorado.
- Isso é para mim?! - O menor exclamou.
O mais velho fitou-o curiosamente de relance, Midoriya não parecia nem um pouco ofendido ou decepcionado, parecia contente e agradecido, radiante até.
- Se quiser levar a comida da Fuyumi pro almoço, não vou te culpar; posso comer... isto no café da manhã. - Disse Touya acanhado ao encarar sua "obra de arte".
Izuku rapidamente tirou o bentou de suas mãos, prevenindo que desperdiçasse um único grão de arroz.
- Nada disso! Você teve todo esse trabalho por mim. Vou comer.
O Alfa arqueou uma sobrancelha em sua direção.
- Às vezes você se contenta com tão pouco. - Brincou.
O sardento riu divertido do fundo da garganta.
- Mas foi o Touya que fez, e você sabe como eu gosto de katsudon. - Disse ao enlaçar um braço em volta do pescoço alheio.
Seu companheiro riu baixo do fundo da garganta e retribuiu o gesto, abraçando sua cintura.
- E aqui eu queria fazer algo especial, mas é sempre você que sabe me paparicar do jeito certo.
O Ômega apenas soltou outra risadinha divertida no que deixou seu cortesão se aproximar para um beijo provocante.
Na sala de jantar, Shouto simplesmente largou o café da manhã, enjoado com o que ouvia da sala ao lado; não era como se quisesse saber sobre o relacionamento entre seu melhor amigo e seu irmão, mas não tinha escolha senão ouvir absolutamente tudo o que acontecia entre os dois, as paredes eram extremamente finas afinal.
Vendo que, mais uma vez, não conseguiria terminar seu café da manhã, o bicolor levantou emburrado e voltou rapidamente ao quarto, não aguentando ficar mais um minuto sequer perto daqueles dois. Tomou seu tempo para vestir o uniforme, sabia estar adiando o inevitável, mas não tinha vontade alguma de voltar e enfrentar aquela situação, ao menos não precisava se preocupar com sua pontualidade, estava bem adiantado.
Após conferir o conteúdo da mochila, ouviu uma batida à sua porta.
- Entre. - Disse monótono, sem se incomodar em olhar para cima.
- Com licença... - Izuku abriu uma fresta da porta corrediça e espiou para dentro do quarto. - Já vamos indo, Todoroki?
O bicolor ergueu uma sobrancelha confusa em sua direção.
- Ainda está cedo. - Contra-argumentou.
- É que eu tenho uma coisa para fazer antes da aula, por isso... - O esverdeado comentou acanhado, brincando com um cacho do seu cabelo.
Shouto estreitou os olhos; já imaginava o que poderia ser, mas decidiu não comentar e levantou-se em direção à porta onde seu amigo aguardava.
- Certo... Vamos indo. - Concordou de mau grado.
Abrindo a porta para poder passar, não estava surpreso em ver seu irmão mais velho de vigia do outro lado, este escoltou Midoriya junto do caçula à porta de entrada. Uma vez no genkan, os colegiais calçaram os sapatos sob o olhar atento do mais velho antes de Izuku se virar para ele.
- Tchau, Touya! Até depois.
- Hum... - O Alfa respondeu monótono.
Captando a mensagem, Izuku estreitou os olhos em sua direção com um sorriso debochado, então foi até o pé do degrau e se enlaçou nos braços do seu cortesão para um beijo de despedida; Shouto, que segurava a porta aberta, revirou os olhos e desviou o rosto, irritado.
Após um momento, o Ômega se soltou dos braços de Touya para o desapontamento do mais velho.
- Até depois. - Repetiu ele.
Touya sorriu àquelas palavras.
- É uma promessa. - Disse com um tapa no traseiro do pequeno que guinchou surpreso.
Shouto assistiu ultrajado enquanto o amigo se soltava dos braços de seu irmão e dava um tapinha em seu peito com o dorso da mão para repreendê-lo.
- Toyota, se comporte! - Disse impacientemente.
- Eeeeeiii... - Touya resmungou ao apelido.
- Estamos indo! - Izuku anunciou, ignorando o protesto de seu cortesão que inflou as bochechas, emburrado.
O Ômega trotou pela porta que Shouto mantinha aberta para ele passar e então, com uma última troca de olhares ameaçadores entre irmãos, o bicolor seguiu seu amigo, fechando a porta atrás de si.
Era sempre um alívio sair de casa quando Midoriya se encontrava com Touya, só queria Shouto estar nesse patamar; mesmo se fosse completamente sem compromisso como o Ômega sempre fazia, daria tudo só por uma noite com ele, esse era o ponto a que chegava sua obsessão.
Acompanhar Midoriya nas ruas era sempre estressante; mesmo estando junto de um Delta, nenhum transeunte se preocupava com a remota possibilidade do pequeno Ômega estar comprometido, talvez dado o fato de Midoriya ser extremamente desejável, qualquer um poderia concordar. Seu almíscar embriagante, personalidade e aparência eram fatores que deixariam até o mais forte dos Alfas de quatro por ele, não só isso, ele também tinha uma certa... reputação.
Dificilmente se encontram Ômegas macho que gostem de pertencer à classe, o que não era o caso de Midoriya; o esverdeado era uma peça rara, parecia realmente gostar de ser um Ômega e tirava proveito disso para conseguir o que quer quando quer. Apesar de gentil, carinhoso e carismático, sua inocência foi há muito perdida, poderia manipular qualquer classe superior facilmente.
Mesmo que Midoriya não se importasse com os olhares pouco discretos e até tirasse proveito disso, chegando ao ponto de usar uniforme feminino para melhor se exibir, era difícil para Todoroki ter de lidar com toda essa pressão ao acompanhá-lo, ainda mais dado o fato de não estar na longa "lista" de cortesãos do pequeno e sem esperanças de conseguir uma chance de entrar nela.
Mas, mesmo com a rejeição que tanto o magoava, mesmo que não fosse da sua conta e com o conhecimento de que Midoriya pode fazer o que bem entende, Todoroki ainda tinha o desejo de protegê-lo, então sempre ficava bem alerta ao seu lado.
Seu único consolo ao andar com Midoriya era o fato do esverdeado ser realmente irresistível, sabia mesmo como animar seu humor, conversando sobre assuntos triviais e gostos que compartilhava com Todoroki; em poucos minutos, a situação constrangedora na residência Todoroki já ficou para trás, o Ômega sabia mesmo como arrancar um sorriso de qualquer um, principalmente de seus amigos.
A meio caminho, Izuku tomou o Delta pela mão e se dirigiu a uma barraquinha de dorayaki* próxima, confuso, Shouto não questionou, apenas permitiu-se ser guiado.
- Bom dia! Vou querer um de azuki*, por favor. - Pediu o sardento educadamente.
O vendedor se calou por um momento com a boca entreaberta, claramente entorpecido pelo Ômega à sua frente, este esboçou um sorriso sugestivo ao responder.
- É para já, docinho! - Disse ao se apressar em preparar as panquecas com destreza.
Izuku pareceu não se incomodar com a resposta ao contrário de Todoroki, logo o bicolor se virou pro Ômega ao seu lado com algo em mente.
- Você não disse que tinha algo para fazer antes da aula? Por quê paramos para comprar dorayaki?
Midoriya fitou-o com um sorriso suave.
- Era isto mesmo. - Respondeu plenamente.
O bicolor encarou-o curiosamente.
- Entendi. - Respondeu devagar.
Achava estranho a pressa para fazer um lanche antes da aula visto que Midoriya já havia tomado o café da manhã preparado por Fuyumi, mas resolveu não comentar.
Enquanto o vendedor terminava o dorayaki, Izuku já ia separando a quantia em dinheiro, Shouto sentiu-se levemente alarmado ao vê-lo puxar a bolsa de moedas.
- Eu posso pagar, se quiser. - Ofereceu de prontidão.
- Não precisa, desta vez é por minha conta. - Izuku sorriu radiante.
- Tem certeza...? Sei que sua família não está nas melhores condições e você sabe que não é problema para mim. - Insistiu o bicolor.
- Obrigado, Todoroki! Mas, desta vez, não precisa se preocupar.
Shouto apenas se calou e assentiu, deixando que Midoriya fizesse como bem entende; o esverdeado entregou o dinheiro enquanto o vendedor lhe passava o dorayaki pronto com um largo sorriso, assim que recebeu o doce em mãos, o esverdeado logo virou-se, oferecendo-o ao amigo.
- Toma. - Foi tudo o que disse.
O bicolor ergueu uma sobrancelha, encarando-o confuso.
- Para quê isso? - Perguntou-lhe.
- Você não pode pular o café da manhã, Todoroki, não vai aguentar até o almoço desse jeito. - Explicou o esverdeado.
Naquele momento, o vendedor parou a contagem do dinheiro e olhou para cima, prestando plena atenção aos colegiais à frente, porém eles não pareciam lembrar de sua presença.
Todoroki espremeu os lábios juntos numa linha fina, não querendo tocar no assunto, muito menos se lembrar dos eventos de mais cedo. Seus olhos desviaram pro pavimento da calçada abaixo e logo miraram de volta pro esverdeado à frente.
- Não estou com fome... - Dito isso, seu estômago roncou alto.
O bicolor corou de leve enquanto Midoriya soltava um risinho divertido à mentira, então empurrou o dorayaki mais para perto, insistindo que aceitasse.
Todoroki tomou o doce em suas mãos, relutante, murmurando um agradecimento em retorno.
Com isso, o esverdeado contornou seu amigo a caminho da estação de metrô, os olhos heterocromáticos seguiram-no até um odor ameaçador preencher o ar. Shouto olhou de volta pro vendedor, lembrando da sua presença graças ao cheiro de ódio emanando de suas glândulas aromáticas.
O bicolor não se pronunciou, apenas mordeu o dorayaki ao continuar com seu caminho enquanto o vendedor seguia-o com os olhos que o metralhavam à distância; pelo visto, Shouto agora teria de evitar passar naquela barraquinha pelo resto da vida.
Os adolescentes foram conversando no caminho à estação de metrô enquanto o Delta ia terminando seu café da manhã improvisado, chegando ao destino, este insistiu em pagar a passagem de Midoriya como forma de agradecer pelo dorayaki, ainda mais dada a situação financeira do esverdeado, cujo aceitou a oferta sem muita insistência.
Embarcando no trem lotado, os garotos não tiveram escolha senão ficar de pé, segurando firme nas barras laterais; assim que Izuku alcançou a barra de cima com certo esforço, voltou a conversar casualmente com Todoroki que já não estava prestando muita atenção.
Se andar nas ruas com Midoriya já era estressante, acompanhá-lo em espaços lotados era ainda pior; talvez o esverdeado não ligasse pros outros passageiros tentando espiar debaixo da sua saia, mas Shouto tinha plena certeza de que este não gostaria de ter algum estranho lhe passando a mão; talvez fosse por pura ingenuidade ou por achar que estava seguro o suficiente na companhia de um amigo, mas o pequeno parecia não se preocupar o suficiente.
No primeiro solavanco, Shouto agarrou o menor e segurou-o em seus braços antes que um tarado ao lado que estava "secando" Midoriya roçasse nele; o mais velho estava visivelmente incomodado em ver seu plano falhando graças ao bicolor que repreendia-o com o olhar. Voltou seus olhos heterocromáticos para o Ômega em seus braços que o encarava confuso, esperando uma explicação.
- Você mal alcança as barras direito... melhor se segurar em mim. - Mentiu.
Izuku sorriu com uma sobrancelha arqueada.
- Certo... Obrigado, Todoroki. - Disse ao se ajustar melhor nos braços do amigo.
O esverdeado retomava um assunto anterior conforme a estranheza da situação passava, mas o bicolor não conseguia prestar muita atenção enquanto vigiava os arredores, esperando ansiosamente para que os interfones anunciassem sua parada.
Sair do trem foi um alívio, Todoroki estava se perguntando por mais quanto tempo aguentaria toda aquela pressão de vigiar Midoriya sem precisar perder seu réu primário para defendê-lo.
A caminhada ao prédio escolar não significava que poderia abaixar a guarda, ao menos Shouto não precisava ficar tão atento a pessoas mal intencionadas perto do Ômega quanto no metrô.
Os garotos foram conversando enquanto Izuku ignorava os assobios e cantadas que recebia de outros alunos pelo caminho e Shouto se esforçava para fazer o mesmo, se segurando ao máximo para não se atirar ao pescoço de alguém.
Uma vez na sala de armários, ambos pararam para trocar os sapatos antes de ouvirem uma voz familiar.
- Bom dia, Midoriya.
O bicolor fechou a cara enquanto Izuku, sorrindo radiante na direção do Delta arroxeado, esquecia da presença do amigo.
- Ah, Shinsou! Bom dia. - Saudou contente.
O mais alto sorriu confiante ao se aproximar devagar do esverdeado que exalava alegria de cada poro de seu ser e se virou para a figura atrás dele.
- Ah, bom dia, Todoroki! Não tinha te visto.
- Tudo bem, eu nem tinha percebido... - Resmungou em retorno.
- Veio me acompanhar hoje, Shinsou? - Midoriya se pronunciou, prevenindo uma discussão entre os dois.
Com uma risada sedutora do fundo da garganta, o arroxeado estendeu a mão ao pequeno Ômega.
- Já deve imaginar.
- É gentileza sua, obrigado! - Izuku exclamou alegre ao entregar sua mochila amarela que Hitoshi recebeu de bom grado, então virou-se para o bicolor atrás. - Tchau, Todoroki! Nos vemos na aula.
- Claro... - Respondeu baixo enquanto observava o delta arroxeado guiar Midoriya para longe dali.
Não importava quantas vezes aquela cena corriqueira passasse em sua frente, sempre sentia uma imensa tristeza ao ver quem mais ama deixando-o para trás com um de seus inúmeros cortesãos; "poderia ser eu" era o que sempre se passava em sua cabeça.
Não conseguia entender porquê Midoriya nunca demonstrou o mínimo resquício de interesse por si, mas agora era muito tarde para tentar a sorte, afinal sua amizade era preciosa demais para ser posta em risco, mesmo assim, arriscaria até esse elo por uma única noite com o amor da sua vida.
Nota Autoral
Pensei em mudar o título desta fic em certo ponto pq me lembrou daquela música sertaneja, mas acabei voltando atrás pq se encaixa melhor no enredo 'v'
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