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Especulações

Assim que retornou às suas atividades corriqueiras, Izuku ainda estava distante, mas esforçava-se para manter a cabeça erguida; a mudança de estilo em seu uniforme escolar manteve-se pelo momento e, após o que todos viram naquele dia entre o Ômega e o Chisaki, já não era mais exatamente um segredo para seus colegas de escola.

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As opiniões dividiam-se em meio aos boatos: dentre os mais próximos de Izuku, haviam os que conheciam a verdade e os que esperavam que o Ômega não tivesse sofrido tanto nas mãos de Chisaki, desejando para que se recuperasse logo; enquanto que os que tinham algo contra ele, espalhavam rumores maldosos. Tinham plena certeza de que Midoriya fora violado o que, mesmo com sua reputação, era repugnante aos olhos alheios, ainda falavam entre caretas e risos, como se fosse merecido.

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Izuku não costumava ligar muito para esse tipo de coisa mas, apesar de fingir que não sabia das mentiras cruéis que alguns contavam, não podia evitar a mágoa que vinha engarrafando.

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Quando o fim daquele dia letivo finalmente terminou, Izuku trocou os sapatos em seu armário; antes que pudesse sair pela porta principal, ouviu alguém chamá-lo e virou para a figura loira trotando em sua direção.

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- Ei, Midoriya...! Já está saindo pro serviço? – Perguntou Monoma, hesitante.

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- Hum... sim. – Izuku respondeu baixinho, abaixando a cabeça.

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Apesar de ainda não ter ouvido nenhum boato de Monoma, não sabia se podia lhe garantir o benefício da dúvida; ele sempre foi um cortesão que parecia estar lá somente para usá-lo afinal.

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- Claro... Espero que tenha um tempo, eu queria falar com você...

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Izuku suspirou inaudível; não sabia o que esperar daquela conversa, tinha receio mas, antes que conseguisse formular uma resposta, o Delta continuou.

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- Olha... eu só queria pedir para que parássemos de nos encontrar... Depois do que aconteceu- quer dizer... é verdade, não é...? Sobre aquele tal do Chisaki- - Monoma interrompeu-se e mordeu a língua, Midoriya já estava lacrimejando em sua frente. – E-ei! Tudo bem...! Eu entendo... Desculpe cutucar na ferida, eu só não quero te forçar a nada que não esteja à vontade para fazer.

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O Ômega ofegou surpreso e mirou em seus olhos acinzentados; Monoma parecia estar sendo sincero. Izuku rapidamente secou as lágrimas e recobrou a voz.

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- Obrigado... Monoma. – Fungou.

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O Delta assentiu.

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- Tudo bem... não imagino o que deva estar passando, também não vou pedir detalhes porque você já deve estar sofrendo mais do que o suficiente com essa história, só... se eu puder fazer alguma coisa para ajudar, pode me pedir, está bem?

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Izuku sorriu com um calor se espalhando pelo peito e abaixou os olhos, acanhado.

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- Obrigado... vou manter isso em mente.

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Monoma sorriu sereno e acenou em despedida; ambos partiram caminhos e seguiram com seus dias, concordando com o desmanche do acordo.

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Voltar à rotina de trabalho não foi tarefa fácil, ainda mais depois de tirar uma breve licença devido à recaída, o clima desconfortável era quase tangível entre Midoriya e sua chefe; era como se esta não soubesse mais como agir perto dele, mas o Ômega não poderia trocar de emprego assim como que num passe de mágica, infelizmente era obrigado a aturar, o que também valia para Tsuchikawa.

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Quando se distanciou de Kaina, que lhe ofereceu carona naquele dia, Izuku dirigiu-se ao vestiário dos funcionários para poder dar início ao seu turno; no caminho, alguém lhe chamou a atenção.

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- Ô, Midoriya! Você deixou o sobretudo do Enigma no vestiário. – Avisou Chatora.

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- A-ah! Verdade?! Caramba, eu esqueci. – Exclamou o Ômega, olhando da porta do vestiário para o colega freneticamente.

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- Acha que consegue devolver para ele? – Indagou o rapaz musculoso.

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- Claro! Se não o encontrar, posso pedir para um dos seus filhos devolver por mim. – Confirmou Izuku alegremente.

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- Entendi... – Chatora comentou devagar ao virar-se para sair. – bom, não vá demorar.

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- Ah, claro...! – Garantiu o esverdeado com um olhar curioso em direção ao colega; poderia Chatora estar com ciúmes? Interrompendo a linha de raciocínio, Izuku adentrou o vestiário masculino para vestir o uniforme de trabalho, foi quando foi tomado pelo odor entorpecente do Enigma no local.

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Infelizmente não podia perder tempo, então fez um esforço para se situar e ir buscar o uniforme em seu armário, onde o sobretudo pousava dobrado na prateleira. Izuku abriu um sorriso caloroso, o perfume do Enigma estava agora duas vezes mais aparente; não pôde se segurar dessa vez, pegou o sobretudo e abraçou-o contra o peito, dando uma longa tragada antes de suspirar em deleite. Desdobrando a peça com cuidado, Izuku deu uma boa olhada de cima a baixo, era mesmo muito grande... Quando seus olhos bateram na bainha, notou algumas manchas no lugar, examinou de perto para constatar que era lama seca.

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O Ômega pausou em ponderação; teria de botar o casaco para lavar antes de devolvê-lo... só esperava ele poder entregá-lo diretamente ao dono. Inevitavelmente aquele pensamento trouxe borboletas ao seu estômago, fazendo-o rir como uma colegial.

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Acordando pro mundo real, Izuku dobrou o sobretudo novamente e enfiou-o na mochila antes de vestir o uniforme da lanchonete; de repente se pegou desconfortável usando uma saia, talvez pudesse pedir um uniforme masculino para Tsuchikawa qualquer dia...

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Quando tudo estava terminado, fechou o armário e saiu em partida a mais uma jornada de trabalho; assim que saiu do vestiário, notou duas de suas colegas espiando por detrás da parede que separava a área dos funcionários das mesas da lanchonete. Curioso, Izuku aproximou-se devagar.

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- O que estão fazendo? – Sussurrou para não chamar muito a atenção.

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Nejire e Tomoko surpreenderam-se com o chamado repentino, virando-se rapidamente pro Ômega atrás de si.

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- Midoriya... você está envolvido com o Enigma...? – Indagou a Ômega dos cabelos verdes hesitantemente.

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Izuku corou à pergunta repentina.

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- O que-?! Por que essa pergunta...? – Disse ele, surpreso.

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Suas colegas de trabalho entreolharam-se por um instante, então Nejire apontou à área das mesas.

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- Bom, então não foi você que convidou ele?

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- O q-? – O Ômega engasgou na própria saliva, perplexo, então rapidamente escondeu-se atrás da parede e espiou para dentro da lanchonete até seus olhos caírem sobre a imagem do Enigma numa mesa num canto isolado, seu almíscar, no entanto, não passava despercebido.

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Izuku corou à visão, mas não pôde evitar engolir em seco. Afastou-se da beirada para se encolher nervoso.

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- O que ele está fazendo aqui...? – Murmurou.

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- Eu que ia te perguntar! Você não tem mesmo ideia? – Indagou Nejire.

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- Bom... – Izuku pausou enquanto suas colegas fitavam-no curiosamente. – Não... nada, deixa para lá. Não pode ser isso... – Suspirou para a confusão de ambas.

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Embora quisesse acreditar que o senhor Todoroki estivesse ali por si, ainda parecia uma ideia absurda, ele tinha muito mais com o que se preocupar afinal.

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- Bom, o que quer que tenha acontecido entre vocês, só não vá esquecer de devolver o sobretudo para ele. – Avisou Tomoko.

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- Claro, só vou levar para lavar antes. – Concordou Izuku.

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- Na sua casa...? – Indagou Nejire devagar; ambas encararam o colega, curiosas à hipótese.

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Izuku pausou incomodado; o que elas estavam pensando? Que ficaria com o sobretudo para si e o manteria em seu ninho...? Por mais que a ideia fosse tentadora, Izuku não roubaria ninguém assim, muito menos o Enigma.

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Com um suspiro, o Ômega abriu a boca para falar.

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- O que quer que estejam insinuando, eu preciso ir logo; não quero deixar a Tsuchikawa contra mim. – Disse ele ao se mover para sair enquanto suas colegas seguiam-no com os olhos, sorrindo sugestivamente.

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Ao pisar na área das mesas, seus olhos verdes cruzaram-se com o olhar glacial do senhor Todoroki e o tempo pareceu congelar; Izuku queria falar com ele apesar da timidez após tudo o que andou acontecendo, mas o chamado de Tsutsumi numa mesa próxima tirou sua atenção do Enigma. Infelizmente Izuku teve de atendê-la, por isso deixou o senhor Todoroki por conta de Hadou.

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Aproximando-se com seu bloco de notas e seu melhor sorriso forçado, Izuku esforçou-se para manter a compostura enquanto atendia a mesa e lançava olhares furtivos para Hadou no que esta atendia o Enigma ao longe.

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- E aí? Uma bebida para tapear? – O Ômega ergueu uma sobrancelha à sua cortesã.

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A Alfa sorriu sugestivamente antes de responder.

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- Acho que desta vez vou começar com uma torta salgada, não tive tempo de comer nada antes de ir te buscar.

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- Sinto muito por isso. – Izuku disse acanhado ao anotar o pedido. – E qual vai ser o sabor?

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- Pode ser a de carne moída e, pra sobremesa... – Kaina divagou ao examinar o cardápio, enquanto decidia, os olhos do Ômega desviaram para a mesa de Enji e notou que este já parecia estar ficando incomodado com a presença da garçonete. Izuku não podia intervir em meio ao atendimento de outro colega, mas era Hadou, sabia que tinha de fazer algo.

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De repente, dedos adornados por unhas de stiletto coloridas estalaram em frente ao seu rosto sardento, trazendo sua atenção de volta a Kaina num susto.

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- A-ah...! Desculpe... o que estava dizendo? – Resmungou ele, acanhado.

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Tsutsumi abriu um sorriso cansado.

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- Não precisa se preocupar, eu sei... Vai lá. – Disse, gesticulando a cabeça em direção ao Enigma.

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Izuku corou àquelas palavras.

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- Mesmo? E está tudo bem para você...? – Indagou receoso.

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- Ei, não somos exclusivos, nós dois sabemos disso, certo? Eu não me importo. – Respondeu ela plenamente, dando de ombros.

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Izuku sorriu tímido.

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- Obrigado. – Falou corado ao se distanciar devagar.

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Conforme se aproximava da mesa de Enji, pôde ouvir melhor sua conversa com Hadou; Izuku franziu o cenho com um suspiro impaciente ao discurso da colega de trabalho.

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- Tem certeza? Estou vendo que vai passar um bom tempo aqui, não gostaria nem de uma bebida para tapear? – Insistiu a Beta.

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Enji segurava a têmpora, claramente incomodado com o rumo da conversa e falava contido, segurando-se para não descontar na garçonete.

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- Olha, essa é realmente uma coisa que eu não quero- - Cortou-se em meio ao próprio discurso ao notar o familiar ponto verde aproximando-se da mesa.

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Nejire fitou-o curiosamente; antes que pudesse virar-se para checar aonde estava olhando, uma mão pousou em seu ombro.

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- Hadou... por que não vai atender a Tsutsumi para mim? Eu assumo daqui. – Sugeriu Midoriya com um sorriso cansado.

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Nejire sorriu sugestivamente enquanto que Enji mostrou-se agradecido.

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- Se estiver tudo bem pro Enigma... – Disse Hadou com uma olhada ao homenzarrão na mesa à frente, apesar de já antecipar sua resposta.

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- Sem problemas, não vou segurá-la por mais tempo. – Respondeu ele com voz suave.

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- Tudo bem, então! – A Beta exclamou animada e afastou-se, falhando em abafar um risinho pouco discreto, o que ganhou uma careta do colega de trabalho.

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- Desculpe pela Hadou, senhor Todoroki, ela pode ser meio invasiva às vezes. – Izuku suspirou cansado.

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- Sem problemas, mas obrigado por me livrar de mais uma dessas. – Enji sorriu, fazendo o Ômega corar. Então ele se lembrava...

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- B-bom...! Se não vai pedir nada, posso perguntar o que está fazendo aqui? – Sussurrou ele em direção ao Enigma.

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Enji remexeu-se no assento, aparentemente desconfortável; antes que Izuku pudesse se desculpar ou mudar de assunto, este se pronunciou.

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- Só vim checar se está tudo bem com você. – Disse baixo, quase inaudível.

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O Ômega fitou-o curiosamente.

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- Mas, senhor Todoroki... desculpe me intrometer, mas não devia cuidar do seu povo como um todo...? Você deve ser bem ocupado afinal. – Indagou cautelosamente.

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- Você faz parte do meu povo, eu falei, além do mais... não quero arriscar que passe por outra situação perigosa.

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Izuku pausou; Enji falava baixo, ajustando o nó da gravata com um desconforto aparente. Não queria tomar conclusões precipitadas, por mais que a ideia dos seus sentimentos pelo Enigma serem reciprocados fosse tentadora...

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O Ômega semicerrou as pálpebras com um calor espalhando-se pelo peito; quando recobrou a voz, falou rouco, pigarreando.

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- Bom... nesse caso, obrigado, senhor Todoroki... Já que não vai pedir nada, acho que vou deixá-lo agora-

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- Na verdade...! – Enji exclamou de repente, chamando a atenção de Izuku antes que se retirasse, então fez uma pausa antes de voltar a se pronunciar. – Acho que poderia beber alguma coisa para passar o tempo.

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Izuku piscou confuso e sorriu caloroso, aproximando-se para anotar o pedido do homenzarrão.

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Aquele dia de trabalho passou quase como que num piscar de olhos, a atenção de Izuku caiu principalmente sobre o Enigma, visto como ele próprio não parecia querer ser atendido por mais ninguém... A proximidade dos dois não passou despercebida, funcionários e fregueses assistiam ambos com nós formando-se em seus esôfagos, o que causou uma certa falta de apetite coletiva.

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Pouco antes da lanchonete fechar, Izuku voltava pra área das mesas com outro pedido para Enji quando viu-o conversando com Kaina na mesma mesa, o que causou uma terrível inveja em si; seu almíscar azedou e quase derrubou a bandeja em suas mãos ao perceber o modo como ambos riam e brincavam juntos, como se fossem amigos de longa data...

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Aproximando-se devagar, o Ômega pigarreou para que notassem sua presença.

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- Hum... com licença... Aqui a cerveja e os petiscos que pediu, senhor Todoroki. – Disse entre dentes com um sorriso forçado no que entregava a refeição.

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O clima na mesa de repente pesou; o ciúmes de Izuku estava aparente, dava para sentir de longe, Enji, por sua vez, observou o Ômega em silêncio com a expressão de quem parecia estar querendo se explicar, já Kaina parecia achar graça da situação.

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- Vocês dois são uma graça! – Riu ela, surpreendendo ambos.

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- Kaina.... – Enji comentou em tom de aviso, sua intimidade apenas piorando o ciúmes do menor.

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- Não se preocupem comigo! – Ela abanou a mão em sinal para relaxarem ao virar-se pro Ômega. – Ei, Midoriya... deu a minha hora. Acho que nos vemos por aí, certo?

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A Alfa levantou-se em meio ao discurso, buscando seu casaco no encosto da cadeira antes de se mover para sair. Enji parecia impaciente com sua reação enquanto que Izuku fitava-a em confusão.

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- Ei, Tsutsumi, espera! – Chamou ele, fazendo a mais velha parar para dar-lhe ouvidos. – Hum... o que está acontecendo?

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Kaina sorriu cansada.

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- Nada demais, só estava me atualizando com o grandão. – Deu de ombros, sua resposta não melhorou o aperto no peito do pequeno Ômega.

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- Kaina...! – Enji suplicou em sua impaciência, ela não estava melhorando o mal entendido...

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Kaina riu às suas custas.

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- Relaxa! Midoriya... nós concordamos em deixar o Enji te levar para casa hoje, está bem?

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Apesar daquelas palavras apaziguarem o coração inquieto do jovem Ômega, a intimidade com a qual se tratavam seguia incomodando, mas tentou focar na informação em si.

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- Mesmo...? – Izuku trocou olhares entre Kaina e Enji curiosamente.

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Enji soltou o cenho para responder.

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- Sim, erm... se estiver tudo bem para você.

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O Ômega sorriu caloroso.

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- Seria ótimo... obrigado, senhor Todoroki!

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- Hmpf, vocês são mesmo uma graça. – Disse Kaina ao virar-se com um aceno em sua direção. – Até mais, boiolas!

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- Kaina! – Enji avisou, mas ela não deu bola e seguiu com seu caminho. O homenzarrão só pôde lançar um olhar piedoso a Midoriya que corava acanhado.

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O resto do dia de serviço seguiu-se sob uma atmosfera constrangedora, mas não é como se Izuku tivesse percebido; a preferência do Enigma pelo pequeno causou terrível ciúmes em seus colegas de trabalho, realmente não deixava nenhum outro atendê-lo, ainda mais com a oferta de levá-lo para casa, todos só podiam encarar o colega com amargura de uma distância; Izuku, no entanto, tinha algo mais para se preocupar...

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Chegado o fim do expediente, todos despediram-se e Enji escoltou Midoriya para seu carro assim que o chofer chegou, sua proximidade fez com que os outros funcionários pudessem apenas encarar a cena ao segurar-se para não descontar no pequeno Ômega, mas ele estava sob os cuidados do Enigma afinal, não poderiam fazer nada do tipo sem sofrerem alguma consequência.

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Izuku agradeceu no que Enji abriu a porta para ele e entrou no banco traseiro logo antes do Enigma; nem questionou o motivo para sentar consigo ao invés de tomar o banco de passageiro, apenas atou o cinto com um sentimento reconfortante ao encarar o senhor Todoroki com um sorriso que não se apagava.

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A primeira metade do trajeto se fez em silêncio, como quando não se sabe exatamente como se portar no início de um relacionamento; apesar de não querer tirar conclusões precipitadas, a ideia de ter seus sentimentos reciprocados era realmente tentadora, mas aquele pensamento o fez lembrar de outra coisa que vinha presa em sua garganta. Não queria estragar o clima, mas Izuku precisava perguntar.

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- Hum... senhor Todoroki... – Começou hesitante, pigarreando. – como... como você e a Tsutsumi se conheceram?

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Enji pausou, fitando-o curiosamente; Izuku arrependeu-se de perguntar na mesma hora, não sabia se queria saber a resposta, só não teve tempo de mudar de assunto antes do Enigma abrir a boca.

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- Foi só um caso que eu tive depois do meu divórcio... isso faz muito tempo. – Explicou devagar.

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O Ômega não pôde evitar um suspiro aliviado, mas o sentimento amargo permanecia em seu peito.

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- Ah... imagino que alguém como você ainda deve ter vários cortesãos... não é...? – Perguntou antes que pudesse segurar a língua.

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Enji fez outra pausa e fitou a janela do carro.

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- Não, na verdade não. – Sua resposta fez o Ômega sobressaltar, surpreso.

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- Mesmo...? – Perguntou para garantir.

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Não sabia se devia insistir, mas um homem como ele conseguiria uma legião de cortesãos num piscar de olhos, ainda queria saber se teria ao menos um resquício de chance com Enji, por mais que pudesse parecer uma ideia absurda.

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Enji olhou de volta para si com um olhar indecifrável.

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- É, eu... estava me envolvendo com alguém há pouco tempo atrás, mas... não deu muito certo. Concordamos em desmanchar o acordo depois de tudo.

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- Ah... – Foi tudo o que Izuku respondeu com um largo sorriso antes de se calar novamente.

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O Enigma fitou-o curiosamente, não podendo evitar um leve sorriso, já o chofer observou a cena pelo espelho retrovisor com um olhar sugestivo, mas não comentou nada e simplesmente negou com a cabeça, voltando a atenção pra rua. Estava bem óbvio o que se passava pelas mentes de ambos, só foi um alívio desfazer aquele mal entendido.

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