
Reencontros Inesperados
*Genkan: Aquelas tradicionais entradas para residências japonesas onde se guardam sapatos.
*Kotatsu: Uma mesa baixa a nível do chão que comporta uma manta térmica.
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Algo estava claramente fora do comum, Izuku continuava distraído nos dias que se seguiram; seus amigos tentaram insistir em descobrir o que andava ocupando sua mente, mas o esverdeado continuava dando respostas vagas ou fugia do assunto, por isso pararam de perguntar quando perceberam que não teriam uma resposta clara e que, aparentemente, devia ser um assunto no qual Midoriya não queria tocar. Apesar de parecer contente em seus devaneios, revelar o motivo parecia deixá-lo desconfortável, mal imaginavam eles o conflito interno que atormentava o pequeno Ômega.
O interesse repentino pelo Enigma estava beirando à obsessão, apesar de se deleitar com a imagem forte do homenzarrão toda vez que se lembrava dele, toda vez que se tocava… Izuku só podia desejar reencontrá-lo; olhava atentamente os arredores toda vez que estava fora, ficava encarando a porta da lanchonete em que trabalha na esperança de ter um vislumbre sequer do Enigma novamente, mas sem muita sorte.
Uma obsessão quase doentia e reconhecia isso, mas não podia controlar, sempre que tentava esquecê-lo, Izuku se pegava com o rosto do Enigma mais uma vez invadindo seus sonhos, andava tão distraído em seus devaneios que não prestava plena atenção às aulas, sua chefe estava quase que constantemente lhe chamando a atenção; não só seu desempenho na escola andava fraco como também poderia acabar sendo demitido, e esse era um risco ao qual não poderia se dar o luxo.
Tudo o que mais queria era aprender a controlar isso já que, aparentemente, não reveria o Enigma tão cedo… pensamento esse que o desolava mais do que gostaria de admitir.
- Sonhando acordado de novo? - Uma voz chamou-o em meio ao serviço, trazendo o Ômega de volta à realidade num susto.
- Ih! Ah- Hadou… - Izuku comentou ao se virar pro rosto sorridente da outra garçonete. - Não é nada.
A Beta de compridos cabelos cor de lavanda assistiu o parceiro de trabalho se afastar para prosseguir com seu serviço, uma forte pontada de curiosidade tomando conta dela.
- Ei, Midoriya… - Chamou ao cutucar o ombro alheio. - Posso falar com você um pouco?
Midoriya fechou a cara em desgosto; conversar com Nejire de todas as pessoas era quase tão ruim quanto levar outro sermão da sua gerente. Ela era muito curiosa e um pouco fofoqueira às vezes, no entanto, cedeu de qualquer forma, seguindo-a para um canto vazio da lanchonete.
- O que foi, Hadou? - Falou baixo para não chamar atenção.
- Você anda pensando muito no Enigma, não é? - Esta indagou um pouco alto demais, o suficiente para levantar a curiosidade de alguns fregueses próximos.
Izuku encolheu de vergonha, sinalizando para que abaixasse o tom.
- Desculpe, mas… olha, eu não quero falar sobre isso. - Disse ele devagar.
Nejire negou com a cabeça.
- Sei que isso anda te incomodando, Midoriya, você não para de sonhar acordado pra porta de entrada tem dias! Até quando vai deixar isso te atormentar? - A Beta cruzou os braços.
- Eu sei! Mas… não é como se eu pudesse controlar… Acredite, eu tentei.
Nejire suspirou.
- Você não pode ficar assim, parece que, desde que ele apareceu, sua vida, basicamente, se resume ao Enigma! Se isso continuar, pode ter sérios problemas, já deve ter reparado…
Izuku abaixou os olhos pro chão; Nejire tinha razão, sentia-se caminhando na corda bamba tentando equilibrar trabalho e estudos nos últimos tempos: um passo em falso e tudo iria pelos ares, mas não é como se não estivesse tentando se manter focado, só andava sendo difícil conseguir essa proeza.
- Olha, Midoriya, eu preciso te mandar a real e digo como sua amiga, está bem…? Você precisa esquecer essa história. - Hadou disse para a surpresa do Ômega. - Ele é o Enigma! Passar na nossa lanchonete foi uma chance em um milhão, quem dirá que pode se repetir? Afinal, ele deve ser muito ocupado tentando manter a ordem do seu povo como um todo, é muito requisitado. Sinto muito por despedaçar seus sonhos assim, mas você precisa entender que reencontrá-lo é quase impossível.
Seus olhos verdes fitaram o chão enquanto seus dedos trêmulos remexiam a bainha da saia do uniforme, tentando com todas as suas forças segurar o choro; não queria admitir que Hadou tinha razão, conhecer o Enigma foi somente um fruto do acaso, já é difícil vê-lo numa lanchonete de esquina, quem dirá uma segunda vez? Talvez, no entanto, aquele fora o choque de realidade que precisava.
- Desculpe por te contar a verdade assim na cara dura mas, você sabe… não quero que se prejudique. - Disse a Beta com um olhar de remorso em direção ao colega.
Izuku não respondeu, estava ocupado demais tentando conter as lágrimas; Nejire suspirou inaudível.
- Você… não está zangado comigo… está? - Arriscou perguntar.
O Ômega só pôde negar com a cabeça devagar, desviando o olhar, acanhado.
Com um sorriso melancólico, Nejire remexeu os bolsos, retirando seu lenço de mão e oferecendo-o a Midoriya.
- Aqui, seque essas lágrimas.
Surpreso, Izuku aceitou o lenço de bom grado, usando-o para limpar os olhos que já começavam a lacrimejar antes de devolvê-lo para Hadou.
- Eu sinto muito mesmo, Midoriya… nunca na vida tinha te visto tão apaixonado, infelizmente, acho que algumas coisas não são feitas para acontecer e é a vida… devemos aprender a lidar com essas frustrações e seguir em frente. - As palavras da Beta levaram um sorriso tímido aos lábios de Midoriya. - Você vai ficar bem? Talvez seja melhor pedir um tempo na sala dos funcionários…
- Não… não posso deixar que isso me prejudique. Já estou na mira da Tsuchikawa, você sabe.
Nejire sorriu em compreensão.
- Você é bem esforçado mesmo… só cuidado para não se sobrecarregar.
- Claro, vou tomar cuidado. - Foi a última coisa que Izuku disse antes da sua parceira de trabalho se afastar, só não pôde ir muito longe ao seu chamar. - Hadou… obrigado. - Disse com um sorriso genuíno.
- Sem problemas, Midoriya! Estou à disposição. - Respondeu ela com um sorriso radiante.
Assim, Nejire finalmente se afastou e prosseguiram com o dia de trabalho. Não podia negar que aquele choque de realidade foi doloroso, mas necessário; às vezes as coisas não acontecem da forma como queremos e deve-se aprender a lidar com essas frustrações da vida, aquilo foi tudo o que Izuku precisava ouvir para começar o seu processo de recuperação.
A partir de então, o esverdeado andava bem melancólico como foi de se notar, seus amigos só faziam imaginar o que pode tê-lo deixado assim, mas não queriam cutucar na ferida, por isso tentaram animá-lo da forma que sabiam melhor, no entanto, seus avanços não pareciam muito eficazes; Midoriya percebeu o que estavam tentando fazer e apreciava o gesto, mas sua tristeza era tanta que conseguia no máximo esboçar um sorriso breve ou uma risada fraca antes de voltar a se lamentar em silêncio.
Sabia que não era problema dos seus amigos e não queria descontar neles, por isso estava tentando, tentando mesmo fazer seus esforços valerem a pena, mas não era como se pudesse esquecer a solidão que o assolava.
Seus amigos, por outro lado, começavam a se frustrar com o temperamento constante de Midoriya; não era como se arriscariam perdê-lo assim tão facilmente, mas já não aguentavam mais vê-lo sofrendo por um motivo que não queriam trazer à tona e piorar o seu humor, por isso tentaram outra abordagem.
- Uma noite de estudos? - Izuku repetiu o que acaba de ouvir.
- Isso mesmo. - Todoroki confirmou plenamente.
O Ômega se remexeu desconfortável no banco da cantina.
- Não sei, não… - Falou em receio.
- Vamos, Deku, é época de provas e a irmã do Todoroki nos convidou para ficar para jantar, vai ser legal! - Insistiu Uraraka.
- Hum… mas por quê na casa do Todoroki? - O Ômega comentou com cautela.
- O que tem de errado com a casa dele? - Iida indagou curioso.
Ambos o esverdeado e o bicolor se calaram repentinamente; é claro que Midoriya conhecia bem a situação na residência Todoroki, sabia que as coisas já não eram mais tão tensas quanto antigamente, no entanto, apesar dos esforços de Fuyumi para reconstruir um lar desestruturado, era basicamente a única fazendo esse esforço, pois seus irmãos já se conformaram com o fato de que o desconforto que ainda pairava no ar não seria desfeito tão cedo, ver aquela família se separar e trilharem seus próprios caminhos distintos era uma visão de futuro mais realista. No fim, talvez a casa de Todoroki não fosse a melhor escolha.
- É só um encontro entre amigos, nada demais… só vamos estudar um pouco no meu quarto e nos reunir para jantar depois, deve nos fazer bem, além do quê você anda divagando um pouco durante as aulas, pode estar precisando. - Shouto comentou com o Ômega, desviando do assunto.
Iida e Uraraka trocaram olhares e viraram-se do esverdeado pro bicolor com uma forte pontada de ciúmes; sentiam que Midoriya sabia de algo fora do seu conhecimento, algo confidencial entre si e o Delta, ainda mais dado o fato de que se encontrava com o primogênito dos Todoroki, não podiam evitar. Ambos já começavam a pensar duas vezes sobre a escolha do local.
Izuku se calou e pesou os prós e contras; estava mesmo precisando recuperar suas notas, não ia negar, no entanto, não tinha tanta certeza quanto fazer isso na casa de Todoroki de tantos lugares, mas não queria desapontar Fuyumi, visto como já tinha prometido fazer o jantar pro grupo e sabia como seria importante para ela. Talvez fosse para o benefício de todos, dos Todoroki inclusos; apesar de não ter muitas esperanças da recuperação de um lar perdido, Izuku ainda queria fazer esse esforço junto de Fuyumi, por ela e por seu amigo.
Antes que Iida conseguisse abrir a boca para sugerir sua casa como local de estudos, o Ômega falou por cima.
- Tudo bem… pode ser divertido. Ainda precisamos passar mais tempo juntos, certo? - Concordou com um sorriso tímido.
Seus amigos sorriram contrariados, fora Shouto que abriu o maior sorriso que conseguia se permitir, completamente alheio às expressões nas faces de Iida e Uraraka.
- Era o que eu esperava ouvir. - Comentou o bicolor contente, apesar dos outros poderem discordar de certa forma.
Combinaram então de se reunirem na próxima folga do esverdeado, Shouto, por sua vez, avisou Fuyumi o quanto antes para que pudesse se preparar para a data em questão.
Chegado o dia, o grupo de amigos se dirigiu da escola direto para a mansão Oriental, Uraraka já se sentia deslocada assim que avistou o tamanho da residência Todoroki, Iida e Midoriya, no entanto, permaneceram indiferentes, visto que o Alfa não passava muito longe do patamar, e o Ômega, por sua vez, já estivera lá algumas vezes, sabia bem pelo que esperar.
A castanha olhava os arredores freneticamente enquanto faziam seu caminho do portão ao genkan*, onde foram prontamente recebidos por Fuyumi.
- Boa noite! - Saudou a Ômega sorridente ainda em avental de cozinha. - Vocês são os amigos do Shouto, não é? É um prazer finalmente conhecê-los!
- Oi, Fuyumi! - Respondeu Izuku.
- Ah, Midoriya! Faz um tempo que não nos vemos.
O comentário de Fuyumi causou um leve desconforto em Iida que se segurou para não deixar-se abalar, já Uraraka continuava distraída demais com o interior da casa para notar.
- Obrigado por nos receber, senhorita Todoroki. - Disse o Alfa com uma longa reverência.
- Não precisa dessa formalidade! Eu que fico muito grata por tudo o que vêm fazendo pelo meu irmãozinho. - Dessa vez, o comentário da Ômega causou um leve acanhamento em Shouto, que coçou a têmpora com um suave rubor nas bochechas.
- Sem problemas! O Todoroki é uma ótima pessoa e um amigo incrível, devem se orgulhar dele. - Tenya golpeou o ar de forma costumeira ao se reerguer.
- É muito bom ouvir isso! O Shouto sempre foi muito recluso, vocês são os primeiros amigos-
- Podemos falar de outra coisa…? Por favor. - O Delta interrompeu o discurso da irmã, desesperado para mudar de assunto.
- Ora, não fique assim, Shouto! Fico muito feliz por você ter conseguido amigos tão legais! - A Ômega bagunçou seus cabelos bicolores afetuosamente, o que só fez piorar o acanhamento do irmão, então virou-se para a Beta atrás dele. - E você é a Uraraka, né?
A castanha se alarmou com o chamado; voltando ao mundo real num susto, arregalou os olhos na direção de Fuyumi e abriu a boca, gaguejando na tentativa de formar uma frase coerente.
- B-b-b-bela casa a de vocês! - Quase gritou com voz esganiçada antes de desmaiar de súbito.
- Ela está bem? - A Ômega indagou alarmada.
- Não se preocupe, a Uraraka não é muito acostumada com essas coisas então fica meio sobrecarregada neste tipo de ambiente, daqui há pouco ela volta. - Izuku riu divertidamente.
- Ah, entendi. - Fuyumi sorriu compreensiva e uniu as mãos. - Bom, se quiserem ir ficando à vontade enquanto termino o jantar, está quase pronto!
- Obrigado! - Disse Midoriya ao descalçar os sapatos e subir o degrau, seguido de perto por Todoroki, Iida, por sua vez, ficou para trás abanando o rosto de Uraraka com um caderno que retirou da mochila.
Uma vez no quarto de Todoroki, os amigos se reuniram em volta do kotatsu* e enfiaram as caras nos livros; em certo ponto, alguém bateu à porta.
- Quem é? - Indagou o Delta.
Ouviram um estalar de língua do outro lado e a imagem do Alfa de cabelos vermelhos logo se revelou detrás da porta corrediça.
- Precisa me tratar como um intruso? - Reclamou Touya.
- É justamente por sua causa que eu tive que perguntar. - Shouto retrucou sem medir as palavras, fazendo cair uma atmosfera pesada sobre o quarto.
- Sei que não sou bem-vindo, mas obrigado por me lembrar. - Touya revirou os olhos ao abaixar para pegar algo do chão.
- E é por isso mesmo que-! - O Delta interrompeu-se em meio ao sermão ao observar o mais velho de seus irmãos aproximar-se com uma bandeja de bebidas.
- Não seja ingrato, Shouto. - Disse ele duramente ao pousar a bandeja sobre a mesa e distribuir os copos.
- Obrigado, Touya. - Izuku agradeceu em meio à situação constrangedora, aceitando o primeiro copo.
- Não precisa, boneca, se não fosse você, eu nem faria isso. - Disse Touya com voz rouca e uma piscadela sensual ao esverdeado.
Todos os outros se calaram, tentando conter a fúria crescendo dentro de si no que o Ômega acanhado suava frio.
- Você deve ter tido um dia longo de trabalho, por quê não vai descansar? - Sugeriu o pequeno como pretexto para se livrar da presença impertinente de seu cortesão.
O Alfa ergueu uma sobrancelha e soltou um riso zombeteiro do fundo da garganta antes de tocar os ombros do esverdeado.
- Não enquanto eu estiver com uma companhia tão agradável- - Touya se cortou em meio à frase quando Izuku posicionou o caderno entre os dois, bloqueando o beijo que planejava dar em seus lábios.
- Desculpe, estamos ocupados agora, tente novamente mais tarde. - Disse o Ômega firmemente.
Touya inflou as bochechas em frustração às risadas que o grupo de amigos falhava em segurar; olhando para seu irmão caçula, amaldiçoou-se por tê-lo feito, seu sorriso triunfante quase o tirou dos nervos.
Estalando a língua novamente, o Alfa de intensos cabelos vermelhos finalmente obedeceu e levantou-se em direção à porta.
- Tudo bem… - Levou as mãos ao ar em rendição. - Você venceu desta vez, mas vai ficar me devendo essa. - Disse ele com um último sorriso sugestivo ao Ômega.
- Sem promessas. - Izuku anunciou decididamente ao voltar sua atenção pros materiais de estudo, o que ganhou um beicinho emburrado do Alfa que fechou a porta ao sair resmungando.
Finalmente com sua paz restaurada, os amigos continuaram estudando e papeando enquanto se serviam do chá, vários minutos se passaram até ouvirem outra batida à porta; antes que Todoroki pudesse abrir a boca, ouviram a voz de Fuyumi do outro lado.
- Shouto, pode vir aqui um instante?
Ela soava nervosa; o bicolor arqueou uma sobrancelha em direção à porta fechada e pediu licença ao se levantar para atender a irmã.
Fuyumi pediu para que conversassem no corredor mas, como as paredes eram extremamente finas, o grupo de amigos conseguiu ouvir alguns sussurros.
- O quê…? Por quê ele vem justo hoje?! - Shouto sibilou alarmado. Uma pausa se fez no que Fuyumi sussurrava uma resposta. - Não podemos mandá-lo para um restaurante antes de vir para cá? Para ganhar tempo.
Outra pausa se fez no que Fuyumi parecia hesitar.
- Ele está tentando se redimir com a gente, Shouto, eu também quero fazer isso funcionar… para todos nós. - A Ômega pausou enquanto o caçula exalava frustrado. - Mas, se não quer ele perto dos seus amigos, acho que podemos mandá-los para casa antes do-
- Não. - Shouto interrompeu-a determinado, falando num tom mais alto desta vez. - Eu fiz uma promessa, não posso furar com eles.
Fuyumi se calou por um momento antes de responder.
- Bom… você que decide, são seus amigos afinal.
Ouviram passos no corredor no que a Ômega se afastava, Todoroki pareceu ficar lá parado por mais alguns instantes antes de voltar pro quarto com expressão fúnebre.
- Algum problema, Todoroki? - Iida indagou preocupado de seu lugar no kotatsu.
- Nada, só… - O bicolor hesitou antes de completar a frase. - Acho que vamos ter mais alguém na mesa pro jantar.
Seus amigos fitaram-no curiosamente, todos com os olhos cheios de perguntas e um receio tangível.
- Hum… e quem seria essa pessoa misteriosa? - Uraraka ousou perguntar com um risinho nervoso.
- Ninguém importante. - Shouto deu de ombros, claramente não querendo tocar no assunto. - O jantar está quase pronto, daqui há pouco a Fuyumi deve nos chamar. - Disse ele ao voltar para debaixo do kotatsu.
O grupo se calou enquanto todos voltavam aos estudos, tinham receio do que poderia sair daquela visita.
Mais alguns minutos de silêncio se passaram antes de Fuyumi chamá-los pro jantar, os amigos seguiram-na pelos corredores até a entrada principal à caminho da cozinha; mal chegaram no genkan, já imaginavam quem poderia estar lá, pois sentiram o cheiro do fundo do corredor. Não imaginavam ser possível mas, à medida que se aproximavam, ficava cada vez mais claro quem seria seu visitante misterioso para o jantar daquela noite.
Todos pararam em frente à entrada, atordoados à visão do homem que subia o degrau com um olhar curioso em direção ao grupo.
- Você chegou. - Fuyumi comentou com um sorriso.
Os amigos de Shouto ficaram encarando sem dizer nada; não conseguiam se fazer dizer nada, nunca na vida imaginariam se ver frente a frente com o Enigma de todas as pessoas.
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