
Após o Choque
*Kotatsu: Uma mesa baixa a nível do chão que comporta uma manta térmica.
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Assim que seu despertador tocou, Inko remexeu-se preguiçosamente debaixo das cobertas, lentamente alcançando o dispositivo para desligá-lo; infelizmente não podia ficar se demorando, mas não podia evitar. Foi dormir tarde na noite anterior à espera de seu filho, este que sequer visualizou qualquer mensagem preocupada da figura materna que ainda nem sabia se tinha conseguido voltar para casa a salvo.
Apesar das poucas horas de sono, a preocupação obrigou seu corpo a se mover; levantou da cama de mau grado e foi checar a casa, assim que pisou para fora do quarto, viu a luz da sala de estar acesa, curiosa, foi investigar para se deparar com Izuku terminando de tomar café no kotatsu*. Ambos se entreolharam sob uma atmosfera desconfortável, Izuku abaixou os olhos pro tampo da mesa, temendo o interrogatório iminente depois do olhar de reprovação da mãe.
- B-bom dia… - Saudou ele acanhado em tom incerto.
Inko suspirou cansada e se uniu a ele debaixo da manta térmica, juntando as mãos sobre a mesa com uma expressão tão dura que parecia irreconhecível; Izuku engoliu em seco à espera da “palestra” começar. Queria ter saído mais cedo antes de se atrasar, o sermão da sua mãe só prolongaria ainda mais suas tarefas da manhã, no entanto, não queria preocupá-la ainda mais, especialmente depois da noite de ontem…
- Você já deve saber… Por onde esteve ontem à noite? - Inko indagou friamente, um tom que contrastava com sua personalidade.
Izuku pausou e abaixou os olhos em silêncio; já esperava por essa, por isso passou a madrugada em que esteve se preparando pro dia pensando numa desculpa plausível para seu atraso. Não queria mentir para sua mãe, mas também não queria preocupá-la e também tinha receio do que viria depois de ela descobrir o que realmente aconteceu noite passada.
Abriu a boca e buscou o discurso ensaiado em sua mente, torcendo internamente para que conseguisse se fazer soar convincente o suficiente.
- Desculpe, eu só… - Umedeceu os lábios, se esforçando para não prolongar demais aquela pausa. - Eu… fui para uma boate, depois do serviço.
Inko ergueu uma sobrancelha curiosa; aquilo soava como verdade, também era um cenário perfeitamente plausível, porém…
- Izuku… eu te mandei milhares de mensagens ontem à noite, mal consegui dormir de preocupação… Por que não me respondeu? - Perguntou em tom de mágoa.
Izuku suspirou inaudível; também tinha pensado numa resposta para aquilo, agora só precisava manter a fachada até convencer sua mãe o suficiente para se livrar daquele interrogatório.
- Eu não queria, eu só… a música estava muito alta, não devo ter ouvido meu celular tocar. Sinto muito.
- Podia ao menos ter me avisado, fiquei acordada até altas horas da noite te esperando e morrendo de preocupação. - Confessou ela ao conter as lágrimas.
Sua reação só fez o esverdeado se sentir pior consigo mesmo ao decorrer do momento, mentir para sua mãe ainda mais sobre algo do tipo já lhe doía no peito, aquilo estava sendo demais para aguentar, temia inclusive começar a chorar junto dela, mas segurou firme.
- Me desculpe mesmo… Eu só acabei esquecendo, só isso…
Inko sacudiu a cabeça em reprovação.
- Izuku, sinceramente, entendo seus motivos, mas às vezes lhe falta juízo… Só espero que tenha se prevenido direito.
O Ômega engasgou na própria saliva, aquelas palavras quase fazendo-o despejar o conteúdo do café da manhã de volta na mesa.
- Mãe! - Protestou envergonhado ao enterrar o rosto nas mãos.
- Me desculpe, eu também não gosto de ter essas conversas com você, acredite: nenhum pai ou mãe gosta, mas você sabe… com a quantidade de cortesãos que você tem, às vezes parece mesmo necessário…
Izuku levantou os olhos pra mãe com expressão emburrada no que esta divagou.
- Obrigado por se preocupar, mas não precisa… acho que já conheço alguma coisa sobre o assunto, ao menos o suficiente para saber me prevenir.
- Assim eu espero… Não gostaria que ficasse doente, imagina eu ser avó nesta idade-?
- Olha, mãe, adoraria ficar para conversar, mas preciso me apressar antes que me atrase. - Izuku falou por cima na tentativa desesperada de fugir daquela conversa, levantando para buscar sua mochila.
Inko só pôde sorrir compreensivamente, mas notou algo estranho.
- Espera, mas são quase cinco e meia, ainda está muito cedo para sua aula.
- É que eu tenho uma coisa para fazer antes. Te vejo depois do meu turno. - Anunciou apressado ao se dirigir à porta, foi quando sua mãe notou algo mais fora do comum ao vê-lo de pé.
- Ora, vai pra escola de calça, hoje? - Indagou curiosa, fazendo Izuku gelar.
- É-é… Só quis mudar um pouco. - Respondeu ele nervosamente, fazendo Inko suspeitar de seu tom pouco convincente.
- Certo… só me avise desta vez se tiver algum imprevisto.
Izuku suspirou inaudível, captando bem a mensagem.
- Pode deixar. - Assegurou-a ao calçar os sapatos e se retirar.
Uma vez do lado de fora, o Ômega fechou os olhos e suspirou exalado. “Essa foi por pouco”, pensou, apesar de ter plena consciência de que sua mãe não esqueceria o assunto até descobrir o que aconteceu realmente. Abrindo os olhos novamente, percebeu o Delta bicolor esperando no pé da escada que levava à porta de entrada, este surpreendeu-se quase tanto quanto Izuku quando seus olhos se encontraram.
- Bom dia… Midoriya. - Saudou em voz baixa.
Normalmente Izuku teria se sentido feliz em ter Todoroki voltando a lhe dirigir a palavra, no entanto, naquele momento, só pôde entrar em pânico. Desceu os degraus correndo e se aproximou devagar, falando em tom alarmado.
- Todoroki… o que está fazendo aqui? - Sibilou.
O bicolor esfregou a própria nuca, acanhado e buscou as palavras certas para lhe dizer depois de todo aquele tempo.
- Me desculpe… eu não queria ter descontado em você naquela vez, eu só-
- Não é esse o problema! - Izuku sussurrou impacientemente, interrompendo-o.
Todoroki deu uma boa olhada em seu rosto corado, foi aí que tudo fez sentido.
- Ah… Não precisa ter vergonha disso, Midoriya, eu entendo… além do quê, não posso deixar que saia sozinho depois de tudo.
Suas palavras só deixaram o menor ainda mais preocupado.
- O q-? Como descobriu?! - Indagou em pânico.
- Foi o meu velho que me contou, inclusive foi ele quem me mandou. - Falou devagar.
Izuku abaixou a cabeça, sentindo-se pior a cada palavra que seu amigo proferia.
- Sabe… não precisa fazer isso só porque seu pai mandou. - Disse baixo em tom piedoso.
- Não é como se eu não quisesse. - Confessou o Delta, fazendo Izuku se calar em compreensão. O mais alto virou-se e abriu a boca novamente. - Vamos andando? Não queremos que se atrase.
Izuku queria ter dito alguma coisa, qualquer coisa após tudo o que andou acontecendo, mas apenas se calou e assentiu devagar, seguindo o amigo em direção à estação de metrô.
O caminho se fez em silêncio desconfortável, o Ômega mantinha-se atrás de Shouto com várias coisas passando em mente; sentia que precisavam conversar, tentou formular várias formas de tocar naquele assunto delicado em sua cabeça, mas não queria estragar tudo novamente, realmente não sabia como começar. Shouto, por sua vez, parecia não se preocupar tanto com o assunto, mas ele sempre foi difícil de desvendar de qualquer forma.
Quando estavam próximos da estação, Izuku já estava desistindo de imaginar como poderia melhorar a situação quando o bicolor se pronunciou.
- Ah, Midoriya. - Chamou sem olhar para trás, fazendo o esverdeado levantar os olhos curiosos para si. - Acho que preciso te avisar… o Touya pediu para cancelar o acordo.
A notícia repentina pegou Izuku desprevenido, mas abaixou os olhos e concordou de toda forma.
- Entendo…
Shouto suspirou frustrado e parou a meio caminho, finalmente olhando em seu rosto sardento.
- Não é bem como está pensando, tá…? Afinal você deve estar se sentindo péssimo depois daquilo e ele entende, por isso não quer forçar a barra.
Seus olhos verdes marejaram após ouvir aquilo; levantou o rosto corado pro bicolor e abriu a boca, falando com voz chorosa.
- Ah… Agradeça-o por mim.
- Claro… - Respondeu devagar, puxando o lenço de mão e entregando-o ao Ômega. - Não queria passar a ideia errada, eu só não sei me expressar direito, às vezes.
- Tudo bem… sei disso. - Izuku secou as lágrimas com um sorriso tímido antes de devolver o lenço pro amigo.
Shouto pausou após guardar o lenço no bolso, claramente querendo dizer algo.
- Me desculpe.
O Ômega fitou-o em surpresa.
- Está tudo bem, Todoroki, eu entend-
- Não. - Shouto interrompeu-o, desviando os olhos heterocromáticos. - Quer dizer… por isso também, mas principalmente por ter descontado em você, naquela vez.
Izuku se calou surpreso e abaixou os olhos.
- Hum…
- Sei que isso não justifica, mas eu só estava meio sobrecarregado… acho que só precisava botar meus pensamentos no lugar. - O bicolor deu de ombros. - Eu só não queria mesmo que deixássemos de ser amigos. - Falou acanhado com a mão na nuca, Izuku levantou os olhos para ele, sorrindo em compreensão.
- Tudo bem, Todoroki… Na verdade, você teve seus motivos para descontar em mim, só passou dos limites. Peço desculpas também! Se você aceitar.
Um sorriso aliviado abriu-se nos lábios do Delta.
- Claro.
Izuku, por sua vez, abriu um largo sorriso após aquelas palavras.
- Que bom… eu também não queria que deixássemos de ser amigos. - Falou devagar.
Shouto fitou-o sereno, as “revelações” que ouvira de Bakugou voltando à mente após aquela troca de palavras.
- Bom, acho melhor irmos andando… não vai querer se atrasar mais. - Avisou o bicolor ao mover-se para sair.
- Ah, é… credo. - Izuku concordou com um calafrio percorrendo a espinha, seguindo o amigo à estação de metrô.
Os colegiais desceram do trem próximo à Wild, Wild Pussycats e, conforme Izuku fazia seu caminho até a lanchonete, seu coração acelerava com receio do que ouviria da chefe; chegando ao destino, viram Tsuchikawa e alguns outros funcionários aguardando do lado de fora. Izuku aproximou-se com receio debaixo de uma troca de olhares desconfortáveis, Todoroki seguia-o logo atrás.
- Hã… aqui estão as chaves, Tsuchikawa. - Anunciou ao puxar o molho da mochila e estendê-lo para a gerente.
A Delta pausou em silêncio constrangedor; Izuku imaginava que fosse arrancar as chaves de sua mão num movimento grosseiro, no entanto, alcançou-as devagar e hesitante para pegar o molho com certo receio.
- Obrigada, Midoriya… bem a tempo. - Resmungou ela sem conseguir fitá-lo nos olhos. - Era só isso, acho melhor ir pra escola antes que se atrase.
- Claro... Vejo vocês mais tarde. - Izuku respondeu em sua incerteza, Tsuchikawa só fez assentir de leve antes que partisse junto de Todoroki.
Os adolescentes acenaram para trás timidamente no que faziam seu caminho de volta à estação de metrô, Izuku não pôde evitar um suspiro de alívio uma vez fora do alcance da gerente.
O caminho até a escola se fez sob um diálogo casual, do tipo que se tem quando se está no processo de perdoar alguém, ainda dado os acontecimentos recentes, não era como se Izuku conseguisse fazer parecer como se tudo estivesse às mil maravilhas; já não conseguia mais andar com confiança na rua, mantendo a cabeça baixa e os ombros encolhidos, observando os arredores com olhos atentos como uma presa prestes a ser atacada.
Um pensamento intrusivo percorreu a mente de Shouto ao acompanhá-lo: “Talvez fosse o choque de realidade que precisava”, mas sacudiu a cabeça em negação logo em seguida, afastando aquela ideia absurda. Claro que Midoriya nunca se preocupou o suficiente, mas passar por um evento traumático daquele é o tipo de coisa que ninguém merece sofrer, muito menos Midoriya.
Conforme faziam seu caminho da estação ao prédio escolar, Izuku já não ignorava mais os chamados e cantadas de colegas por completo, encolhendo a cabeça entre os ombros a cada palavra proferida em sua direção; uma cena de cortar o coração, nunca na vida Shouto imaginaria ver Midoriya naquele estado, os outros colegiais, no entanto, não pareciam reparar tanto, fazendo o Delta ter de se segurar para não se atirar ao pescoço de alguém.
Uma vez na sala de armários, os adolescentes trocaram os sapatos e caminharam juntos em direção à sala A mas, assim que pisaram no corredor principal, ouviram alguém chamar.
- Ei, Todoroki!
Curiosos, ambos os garotos viraram-se à Beta se apressando em sua direção.
- Bom dia, Yaoyorozu. - Saudou o bicolor.
- Bom dia! - Respondeu ela radiante antes de notar o pequeno se encolhendo atrás do amigo. - Ah, bom dia, Midoriya.
- B-bom dia… - Balbuciou ele em retorno.
Yaoyorozu fitou-o com ar curioso; antes que pudesse lhe fazer qualquer pergunta, o mais alto se intrometeu.
- Queria falar comigo?
A morena de rabo de cavalo sorriu em sua direção, esquecendo completamente da existência de Midoriya uma vez mais.
- Ah, sim…! Poderia me acompanhar? - Pediu acanhada.
- Ah, tudo bem. Vamos, Midoriya.
- Na verdade…! - Momo se adiantou antes que os garotos pudessem se mover. - Eu estava querendo falar só com você, Todoroki… a sós.
O bicolor se surpreendeu com seu pedido, lançando um olhar preocupado ao amigo logo em seguida que sorriu compreensivo; não precisava de palavras para entender, um olhar já bastou.
- Está tudo bem, Todoroki! Depois nos encontramos na sala, certo? - Disse o Ômega.
Shouto suspirou inaudível, dando plena atenção ao amigo, o que causou uma pontada de ciúmes em Yaoyorozu.
- Vai ficar bem sozinho? - Indagou o bicolor incerto.
Izuku expressou um sorriso cansado.
- Aqui é a escola, acho que vou sobreviver.
Apesar da tentativa de parecer engraçado, Shouto não achou aquele o melhor momento para rir da brincadeira, apenas pausou em sua linha de raciocínio no que se decidia se seria uma boa ideia ou não, então suspirou em derrota.
- Certo, nos vemos na sala. - Disse ele ao virar-se na direção de Yaoyorozu.
O pequeno assentiu em confirmação ao observar seu amigo partir dali com a Beta morena; o bicolor não pôde evitar olhar para trás, preocupado, mas Midoriya já estava se dirigindo à sala de aula sem demonstrar qualquer sinal de hesitação, o que causou certo ciúmes ambos por parte de Todoroki e de Yaoyorozu.
O Ômega caminhou pelos corredores de cabeça baixa, não tinha o menor interesse em lidar com seus colegas, sua “bateria” social estava quase negativa após os eventos recentes, só não conseguiu ignorar o primeiro cortesão que lhe chamou a atenção.
- Veio de calça, hoje?
- Uwaaah?! - Izuku sobressaltou surpreso ao chamar do Delta arroxeado, virando-se rapidamente para ele.
Shinsou encarou-o confuso, mas logo botou seu modo de flerte de volta.
- Te assustei? - Indagou curioso.
- Não, eu só estava distraído… - Resmungou o pequeno Ômega.
Shinsou ergueu uma sobrancelha, mantendo sempre o sorriso sedutor.
- Acordou tarde, hoje?
- Hum…? Não, por quê? - Respondeu o Ômega baixinho.
- Você não está usando maquiagem. - Apontou o Delta.
Izuku entreabriu os lábios e começou a balbuciar.
- B-bom…! Eu… Eu só-
- Não precisa se preocupar com isso, Midoriya, já te falei que você não precisa de maquiagem para ficar bonito. - Interrompeu o discurso do Ômega ao se aproximar devagar.
Notando o corpo de Shinsou perigosamente perto, Izuku viu sua mão se estender em direção ao rosto alheio com o intuito de lhe oferecer um toque afetuoso, mas o ato lhe trouxe lembranças ruins e, de repente, Izuku se pegou pensando na noite anterior; agiu instintivamente, ofegando apavorado e encolhendo-se para longe de Shinsou que apenas observou-o em confusão. Aquela situação estava ficando mais estranha ao momento.
- Mi… Mido-?
O Delta já estava se aproximando uma segunda vez na intenção de lhe oferecer uma mão amiga, no entanto, suas intenções foram interrompidas por alguém agarrando seu antebraço com força.
- O que pensa que está fazendo? - Indagou o Alfa morbidamente ao lançar-lhe um olhar de relance.
Shinsou ficou ainda mais mortificado com a reação do amigo de Midoriya, então franziu o cenho, ofendido.
- Calma aí, Iida! Eu não estava fazendo nada demais.
- Não é o que está parecendo para mim. - Retrucou com uma expressão sombria que contrastava com sua personalidade.
Shinsou não pôde evitar sentir-se injustiçado, fechou a cara e balançou o braço para longe do alcance de Tenya.
- Você não pode chegar julgando os outros assim, você nem sabe o que aconteceu…! Vamos, Midoriya, fala para ele. - Disse ríspido ao voltar-se pro Ômega, foi então que viu seu rosto choroso no que este tremia no lugar. - Midoriya…? - Indagou preocupado, sua confusão apenas aumentando.
Era injusto incriminar Shinsou por algo que ele não fez, Izuku sabia muito bem disso, por isso abriu a boca e tentou, tentou mesmo explicar o que aconteceu de verdade, mas o choque recente e lágrimas iminentes lhe cortaram a voz, tudo o que manejou foram balbucios incoerentes.
- É o suficiente para mim. - Iida ajustou os óculos antes de virar-se pro Delta. - Shinsou, acho melhor ir se não quiser ter uma palavra com a coordenação.
Era injusto, mas a reação de Midoriya falava por si só; percebendo que de nada adiantava insistir, Shinsou bufou impaciente e seguiu com seu caminho sem olhar para trás, Iida apenas observou-o partir com um olhar duro que suavizou ao se voltar pro Ômega ao seu lado.
- Tudo bem, Midoriya… - Disse afável com um toque reconfortante em seu ombro. - Olha, se ele chegar perto de você de novo me avise, está bem…? Farei meu melhor trabalho como representante de turma.
Izuku engoliu em seco e tocou a manga do uniforme de Tenya, chacoalhou a cabeça e tentou se explicar, não queria que Shinsou passasse pelo vilão da história, ele não merecia! Mas ainda não conseguiu encontrar sua voz.
- Ii… Iid-!
Iida suspirou inaudível com um olhar piedoso, naquele momento, mais do que tudo, só quis abraçar sua paixão, mas não conseguiu unir coragem para fazê-lo antes de alguém lhes chamar a atenção.
- Deku…? - Ambos olharam para cima para se depararem com Uraraka. - Meninos… o que aconteceu?
- Bem-
Iida já estava começando a explicar o que ele tirou da situação, mas um puxão em sua camisa o interrompeu; olhou de volta para Midoriya que negou com a cabeça novamente, pedindo silenciosamente para não contar, mas ainda não conseguia se fazer explicar a verdadeira situação.
Iida fitou-o com um aperto no peito, Uraraka, apesar de confusa, sentiu o mesmo por ver Deku naquele estado; antes que alguém pudesse tomar uma atitude, ouviram uma outra voz se aproximando.
- Belo show, hein, Midoriya?
Todos olharam para cima para se depararem com o loiro ultrajado, julgando o esverdeado com o olhar.
- O que você quer, Kaminari? - Iida perguntou-lhe impacientemente.
O Ômega sacudiu a cabeça em reprovação e virou-se para o mais baixo.
- Olha, não sei o que acha que vai ganhar com esse teatro, mas o Shinsou não mereceu aquilo!
Suas palavras ofenderam os amigos de Izuku profundamente.
- Ah, então o Midoriya começou a chorar à toa?! - Exclamou o Alfa.
- Cala essa boca, Iida! Você não viu o que aconteceu… mas eu vi! E o Shinsou não fez nada demais, o Midoriya começou a chorar do nada!
- Sim, todos já percebemos sua obsessão pelo Shinsou, mas você não pode acusar o Midoriya assim! - Iida revirou os olhos, perdendo cada vez mais a paciência.
Denki mordeu a língua para não xingar, corando de leve à análise.
- Você é rápido em acusar os outros também! Eu-!
- Pessoal.
Todos levantaram os olhos ao bicolor que chegou em meio à confusão, interrompendo o sermão de Kaminari; seus amigos estavam surpresos em vê-lo lhe dirigindo a palavra depois de tudo.
- Todoroki… - Comentou Iida devagar.
- Aconteceu alguma coisa? - Indagou Shouto curioso.
- Bem-
- Nada demais, só o Midoriya que está fazendo drama. - Denki interrompeu Iida, emburrado, o que claramente ofendeu o mesmo com a afirmação.
- Olha, Kaminari… você-!
- Calma, Uraraka. - Shouto interrompeu-a antes que a situação piorasse.
A Beta lançou-lhe um olhar incrédulo.
- Você vai mesmo defendê-lo?!
- Não estou defendendo ninguém, só quero saber o que aconteceu. - Shouto respondeu-a com toda a serenidade possível.
Os colegiais pausaram enquanto Izuku tentava dialogar, mas a briga repentina o deixou ainda mais nervoso, impedindo-o de falar coerentemente.
- O Shinsou mexeu com o Midoriya. - Iida quebrou o silêncio, enfurecendo ainda mais o loiro.
- O Shinsou não mexeu com ninguém-!
- Kaminari. - Todoroki falou duramente, interrompendo seu discurso mais uma vez.
Denki virou-se pro bicolor com desdém.
- Olha, Todoroki, eu sei que você é amigo do Midoriya, mas não aconteceu nada demais, eu vi tudo! O Shinsou não-!
- Cala essa boca. - A ordem partindo do bicolor conseguiu silenciar o loiro contrariado, Shouto então virou-se para Izuku, entendendo a situação. - Vamos, Midoriya… vamos tomar um ar. - Disse ao se aproximar do amigo.
Shouto guiou o Ômega para a área externa com Tenya e Ochako seguindo logo atrás, Denki só pôde observá-los com um sentimento de ultraje; bufando impacientemente, tomou seu caminho para fora dali.
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