
Grandes Mudanças
*Hashis: Os famosos “palitinhos japoneses”.
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O sol se punha no horizonte ao que pássaros voavam assustados com o badalar dos sinos da igreja; no camarim, os rapazes davam os toques finais em seus figurinos antes da cerimônia.
- Como ainda não consegue amarrar a própria gravata? - Katsuki repreendeu sorridente no que ajustava a roupa do namorado, Izuku riu sem graça.
Uma batida à porta chamou a atenção dos rapazes.
- Pode entrar! - Exclamou o esverdeado.
Uraraka abriu uma fresta e escaneou o aposento com os olhos rapidamente.
- Com licença… Izuku, ela quer te ver.
- Ah, claro! Já estou indo. - O sardento respondeu de prontidão, dando um beijo rápido na bochecha de Kacchan que recém terminara de atar o nó e trotou em direção à porta onde sua amiga ainda esperava.
Os íncubos observaram ambos partirem e então voltaram a conversar.
- É… as coisas estão mudando bastante, nos últimos tempos. - Comentou Eijirou ao checar sua imagem no espelho.
- É, estão mesmo… - Bakugou disse distraído, olhando para onde o esverdeado acaba de sair.
- Falando em mudanças, você já conversou com ele? - O ruivo tirou sua atenção do espelho à frente, falando com o amigo em tom severo.
O loiro fitou-o por um momento antes de responder.
- Não, ainda não.
- Precisa agilizar isso aí, Katsuki! - Denki intrometeu-se. - É melhor resolver logo.
- E você acha que eu não sei? - Bakugou revirou os olhos impaciente. - Mas… não sei se consigo fazer isso com o Izuku.
- Katsuki, você sabe que não podemos simplesmente ficar e fingir que nada está acontecendo, as pessoas vão perceber. - Kirishima suspirou.
- Me diga algo que eu não sei! - O loiro retrucou. - Mas o Izuku tem uma vida aqui… amigos, uma família.
- Eu sei que é difícil agora que encontramos nossas almas gêmeas, acredite, eu sei! Mas não podemos ficar por muito mais tempo, as pessoas vão suspeitar. Sei que é difícil para vocês dois, mas às vezes até os humanos precisam passar por mudanças, faz parte da vida. - Raciocinou Eijirou.
Bakugou se calou por um curto momento antes de abrir a boca novamente.
- Amanhã, pelo menos. - Cedeu. - Depois do casamento, está bem? Não vou estragar este dia para ele.
- Espero que cumpra com sua promessa. - O ruivo cruzou os braços.
- Que seja. - Seu amigo explosivo revirou os olhos.
No camarim da noiva, Izuku bateu na porta antes de abrir uma fresta e espiar para dentro.
- Com licença… queria me ver? - Chamou.
A noiva se virou do espelho à porta, seu vestido branco se agarrava à sua forma rechonchuda, valorizando as curvas e terminando numa bainha esvoaçante, complementado por mangas compridas de renda; um véu de mesma cor se prendia ao seu cabelo verde por uma delicada tiara florida, cobrindo as ondas do penteado e usava uma maquiagem leve, mas adequada para a ocasião.
- Pode entrar, querido. - Disse com um sorriso melancólico.
Izuku fechou a porta atrás de si e caminhou devagar até sua mãe, esboçando um sorriso suave.
- Você está linda. - Comentou ele.
- Obrigada, Izuku, você também está muito bem. - Inko comentou devagar.
- Está nervosa?
A figura materna pausou para procurar as palavras certas.
- Acha que estou fazendo a coisa certa?
Suas palavras surpreenderam o filho.
- Por quê essa pergunta? - Indagou preocupado.
- N-não sei, eu… não quero cometer o mesmo erro da última vez…
- Mãe. - Izuku suspirou com um sorriso cansado. - Não precisa se preocupar… o Yagi não é nada como o pai.
Inko suspirou cabisbaixa.
- Sei que ainda é difícil, mas o Yagi não é capaz de fazer uma coisa dessas… - Continuou o esverdeado. - Ele esteve presente em todos os momentos importantes até aqui e nos ajudou a superar um erro que meu próprio pai cometeu, tenho certeza de que é a escolha certa.
Sua mãe sorriu, se segurando para não chorar e estragar a maquiagem.
- Está pronto para ganhar um padrasto, querido?
- Estive esperando ansioso por este momento.
Suas palavras aquietaram o coração acelerado da mãe.
- Já está quase na hora, não é? - Izuku continuou ao pegar o buquê de girassóis num móvel próximo e entregá-lo para Inko. - Não vamos deixá-lo esperando.
A noiva aceitou o buquê com um sorriso e deixou-se ser guiada ao altar pelo filho, cujo levou-a até Yagi para que realizassem a cerimônia; os olhos azuis do mais velho brilhavam sonhadores ao ver Inko passar pelas portas duplas e a aguardou ansioso até que estivesse ao seu lado.
Mesmo durante o sermão do padre, Yagi não tirava os olhos da noiva, quase se atrapalhou algumas vezes pela distração.
No fim, tudo deu certo, oficializaram o matrimônio e partiram para a festa de recepção.
- É tão estranho te ver bebendo. - Uraraka comentou com Izuku.
- Bom… acho que podem agradecer o Kacchan por isso. - O esverdeado disse devagar, seu parceiro sorriu zombeteiro.
- E podemos mesmo! Estamos tentando te ensinar a beber há muito tempo. - A castanha exclamou impaciente e se virou para o íncubo. - O Bakugou conseguiu uma tremenda proeza.
- É, acho que consigo fazer alguns milagres, de vez em quando. - Katsuki se gabou para receber uma cotovelada de Izuku na costela.
Iida riu.
- É bom que o Midoriya tenha te conhecido, Bakugou! Vocês realmente se completam.
- Você não faz ideia. - O íncubo disse em tom provocativo ao alisar a coxa do menor por debaixo da mesa.
Izuku pulou na cadeira surpreso com o toque repentino e estapeou a mão de Kacchan quando este a aproximou de sua virilha, seus amigos riram enquanto o sardento corava emburrado.
Antes que dissessem qualquer outra coisa, alguém se aproximou da mesa e chamou a atenção dos ocupantes.
- Estão aproveitando a festa? - Todos se viraram para aquela voz familiar para se depararem com a moça de óculos acenando em sua direção. - Há quanto tempo!
- Oi, tia Mika! Vejo que a Kyouka e a Yaoyorozu estão aqui também. - Eijirou cumprimentou animado.
- Não vemos vocês faz tempo! Que bom que puderam vir. - Complementou Itsuka.
- Claro! Não podíamos perder este evento importante, e também precisávamos retribuir ao Midoriya. - O comentário da senhora Jirou fez a filha corar.
- “Retribuir”...? Pelo quê, exatamente? - Izuku indagou curioso.
- Hora, vamos, Midoriya, não seja modesto! Você não precisava ter ido no casamento da minha filha e foi mesmo assim, então precisávamos aparecer para apoiar a sua mãe também. - Mika sorriu com as mãos na cintura.
- A-ah! Não foi nada demais! - O esverdeado chacoalhou as mãos constrangido.
- Você meio que o intimou, também… - Kyouka comentou com sua mãe baixinho.
- Eu não o intimei! Só não queria que ficasse de fora enquanto seus amigos se divertiam sem ele! - Mika repreendeu a filha antes de se voltar para Izuku. - A propósito, Midoriya… posso cantar algumas músicas aqui na festa, se você quiser.
Kyouka se alarmou com as palavras da mãe.
- Não precisa! Não quero incomodar. - Disse o sardento.
- Não é incômodo nenhum, afinal te devo essa! - Insistiu a senhora Jirou.
- Mãe, precisamos mesmo ter essa conversa de novo? - Kyouka disse impaciente com uma mão no rosto.
- Vamos, querida! É só uma cerimônia entre amigos, não vai ser nada demais. - A figura materna abanou a mão como sinal para sua filha relaxar.
- Você só quer mesmo subir no palco, não é…? - A cupido disse devagar.
- E então? O que me diz, Midoriya? - Mika perguntou diretamente ao esverdeado com um olhar esperançoso, ignorando completamente o comentário da filha.
- Não precisa aceitar se não quiser, Midoriya. - Kyouka disse cansada.
- Parem de insistir, vocês estão pressionando ele. - Katsuki repreendeu ambas em tom severo.
Izuku olhou cada um deles confuso e, apesar de ainda não conhecer a senhora Jirou tão bem assim, sabia que esta poderia insistir até o último minuto da festa.
- B-bom… acho que não deve ter problema. - Cedeu para o contento de Mika que já estava comemorando. Ele continuou. - Mas não sou eu quem decido, precisa pedir à minha mãe e ao Yagi também.
- Já é o suficiente para mim! Vou falar com eles, nos vemos depois! - Mika levantou um polegar em sinal positivo antes de se apressar à mesa dos noivos com a filha seguindo logo atrás, tentando impedi-la.
- Até mais, pessoal! - Momo acenou com um sorriso divertido enquanto ia atrás de sua esposa e sogra, seus amigos apenas retribuíram o gesto ao observá-las partir.
Convencer os noivos foi mais fácil do que o antecipado, portanto a noite se encerrou com Mika cantando ao microfone e Kyouka tentando arrastá-la para fora do palco; após alguns discursos dos convidados, encerraram a festa para que os recém-casados pudessem partir para a lua de mel.
- Cuide bem da minha mãe, Yagi. - Disse Izuku em meio às despedidas.
- Pode deixar comigo, jovem Izuku. Prometo trazê-la de volta a salvo. - Garantiu o mais velho.
- Obrigado por tudo o que tem feito até aqui. - O esverdeado sorriu caloroso.
- Hora, não precisa! Você sabe como eu aprecio vocês dois. - Toshinori riu sem-graça com uma mão na nuca.
- Bom, acho que já está na hora de deixarmos os noivos irem, certo? Senão vão se atrasar. - Ambos olharam na direção da voz para se depararem com Mitsuki acompanhada de Inko e Katsuki.
- Ah, claro! Precisamos pegar o vôo. - Yagi exclamou ao checar o relógio de pulso e se virou para Inko. - Vamos indo, querida?
A figura materna se virou pro filho cujo assentiu, garantindo-a com o olhar. Inko sorriu serena e tomou o braço que Yagi ofereceu a ela, guiando-a para fora da igreja em direção ao táxi que os levaria ao aeroporto. Os convidados aplaudiam animados enquanto exclamavam suas últimas despedidas.
- Divirtam-se bastante! - Disse Izuku acenando pro táxi.
- Cuide bem da tia Inko! - Katsuki disse na direção de Yagi.
- Juízo, hein?! - Mitsuki avisou para receber uma cotovelada do filho.
Todos observaram o carro partir, acenando até este sumir de vista e os convidados começaram a dissipar; o esverdeado sorria na direção em que partiram, perdido em seus devaneios quando sentiu uma mão em seu ombro. Olhando para cima, viu as orbes escarlate do seu companheiro encarando-o com carinho.
- Vamos para casa? - Convidou ele.
O sorriso de Izuku cresceu, então seguiu Kacchan até o carro do loiro que os levou de volta para casa.
Não poderiam deixar aquela noite especial terminar sem se deitarem juntos; fizeram muitas lembranças para recordar com carinho, no entanto, o sardento percebeu que seu companheiro não estava exatamente com a cabeça no lugar e se pegou imaginando no que poderia estar pensando, mas resolveu não fazer nenhuma pergunta intrusiva e apenas lhe desejou boa noite antes de adormecer em seus braços.
Na manhã seguinte, Izuku acordou sozinho na cama; seguindo o cheiro de café da manhã, encontrou Katsuki na cozinha.
- Bom dia. - Saudou o loiro com um sorriso sereno.
O esverdeado bocejou e esfregou os olhos, sonolento.
- Bom dia, Kacchan. - Disse ao se aproximar para um beijo.
O cupido manteve o parceiro acolhido em um braço enquanto terminava a tarefa com a mão livre, ganhando um olhar curioso do pequeno; após botarem a mesa, Izuku não conseguiu se segurar mais.
- Kacchan… tem algo te incomodando?
Katsuki botou os hashis* de lado com uma expressão fúnebre e reuniu coragem para abrir a boca.
- Bom… sim. Tenho uma coisa importante para te falar…
Izuku fitou-o curioso, esperando que terminasse o discurso; o íncubo apenas suspirou inaudível.
- Vamos conversar depois do café, está bem?
O esverdeado se calou com uma pontada de decepção, mas assentiu de todo modo e voltou a se servir; no fim, o café da manhã foi bem menos agradável do que o antecipado, fazendo Izuku se amaldiçoar por perguntar justo numa hora daquelas.
Com a louça lavada, o sardento não se aguentou mais de curiosidade, afinal parecia ser algo importante.
- Kacchan… o que tem para me contar? - Insistiu.
O íncubo fitou-o com pesar e indicou a sala de estar.
- Acho que vamos precisar sentar para isso.
Izuku seguiu-o até o sofá onde Katsuki tomou sua mão nas dele enquanto se preparava mentalmente para lhe dizer.
- Escuta, eu… Faz um tempo que estou aqui em Mustafu… alguns anos, na verdade.
O esverdeado assentiu, Katsuki continuou.
- E, por isso, a população pode suspeitar de mim.
Izuku encarou-o confuso.
- Aonde quer chegar?
- Eu vou precisar sumir.
O mais baixo franziu o cenho.
- Hã?
- Sabe, o fato de ser uma entidade semi-imortal que convive entre os humanos, é que nós envelhecemos num ritmo muito mais lento, por isso as pessoas ao nosso redor podem sempre desconfiar quando o tempo passa e não envelhecemos um ano sequer… então sempre temos que nos mudar e começar uma nova vida de tempos em tempos.
O esverdeado pausou mortificado.
- Ah…
- E é por isso que eu preciso perguntar se está disposto a me acompanhar nessa.
As palavras de Kacchan pegaram Izuku desprevenido.
- Sei que somos almas gêmeas e também não quero jogar fora tudo o que construímos até aqui… mas ainda quero te dar essa escolha. - Katsuki continuou ao não receber resposta. - Sei que é uma decisão difícil, afinal você tem toda uma vida aqui, por isso não vou te obrigar a nada, mas quero que me responda assim que tiver certeza, está bem?
Com os olhos marejados, o esverdeado só pôde assentir devagar.
O cupido se aproximou e deu um beijo na testa de sua alma gêmea, se afastando logo em seguida e acariciando as mechas de cabelo verde em sua franja.
- Eu te amo… e não importa o que escolha, nada vai mudar isso. - Disse o loiro.
Izuku sorriu em meio às lágrimas.
- Eu também te amo, Kacchan.
Se aproximando uma vez mais, Katsuki envolveu seus ombros num abraço, dando um último beijo demorado nos lábios de Izuku.
Nota Autoral
Por Obra do Destino está perto do fim, mas ainda planejo escrever uma nova versão TodoDeku p ela o/ Esta fic é inspirada num quadrinho original e, desde q andei tendo várias ideias novas pro roteiro, achei melhor escrever uma versão q o siga + fielmente; um dia, c ctz! OTL
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